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Segundas - 20 Hs - Mãe Claudete e Pai Joãozinho.
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Sábados - 19 Hs - Mãe Sueli e Pai Joãozinho.


Endereço - Rua Meciaçu 145 Vila Ipê - Campinas SP.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

SOBRE

Animismo e mistificação na Umbanda, texto comentado.
Texto em vermelho são os comentários da Mãe Sueli.

01- Animismo é a manifestação da própria alma do médium interferindo na comunicação dos espíritos.

- Todas as manifestações espirituais tem sempre um percentual de comunicação anímica, o problema acontece quando este percentual, que deveria ser mínimo, passa a dominar a comunicação.

- Nestas situações, os guias tentam de todas as formas chamarem a atenção dos médiuns para se melhorarem e se aperfeiçoarem em suas comunicações e mesmo em sua vida em geral, através do estudo e também dos esforços para sua reforma íntima.

_ Sempre me esforcei para que todos os trabalhadores de nossa Casa se conscientizassem das responsabilidades e da seriedade necessária para as ações desempenhadas no Terreiro, todas as ações, sem exceção, quer sejam de ordem mediúnica ou não.

_ Sempre incentivei o estudo do Evangelho de Jesus Cristo, das obras básicas de Kardec e de estudos sérios sobre a Umbanda como forma de aperfeiçoamento pessoal e moral dos médiuns em primeiro lugar e, consequentemente, para a melhoria da qualidade dos trabalhos mediúnicos desenvolvidos em nossas Giras.

- Se o médium não atende a estes avisos, os guias acabam se afastando com o tempo.

- Em muitas manifestações, com acentuadas características anímicas, observando-se com atenção, podemos constatar que predominam o engano, o erro e o equívoco, na maioria das vezes, originados pela falta de estudo e de compreensão das leis de Umbanda e demais preceitos que regem as incorporações espirituais.

- No animismo predominam o erro e a ignorância, não é comum a intenção de prejudicar.

- Exemplos comuns das manifestações predominantemente anímicas:

- Guia receita um banho de ervas para o consulente e o médium diz que é para ele fazer um banho de sete ervas.

- Guia receita para que o consulente faça um agrado aos Orixás (em casa) e o médium diz que é para ele fazer uma oferenda (mata, cemitério, etc.)

- Quando o médium muitas vezes incorpora em suas manifestações os gestuais, trejeitos e falas, característicos de outras entidades.

- Quando os guias se afastam os médiuns, na maioria das vezes, acabam sendo vítimas de mistificação.

_ Com relação a estes temas, há muito tempo tenho reafirmado a cambonos e médiuns da necessidade de seriedade e responsabilidade para com as orientações passadas aos consulentes.

_ Sempre enfatizamos que o cambono é o responsável pelo médium incorporado, devendo se comportar com respeito e atenção para que não ocorram enganos ou mal entendidos que possam colocar em risco a saúde física e emocional dos consulentes.

_ Com relação aos médiuns, especificamente, orientamos sempre para que sejam sinceros com relação a sua condição pessoal quando se apresentam para o trabalho.

_ Caso não se sintam bem, deverão procurar o Pai ou Mãe da gira para receber assistência e, se após receberem este auxílio, ainda não se sentirem em condições para o trabalho, não deverão fazê-lo.

_ Os banhos de ervas recomendados em nosso regulamento e pela direção do Tereiro são:manjericão, alecrim, hortelã, levante, arruda, pétalas de rosa branca e sal grosso.

Observação importante: Sempre que os guias recomendarem banhos com estas ervas, devemos, por precaução, perguntar aos consulentes se são alérgicos ou se possuem alguma sensibilidade em relação às plantas recomendadas.

Também existe a alternativa de recomendar o banho de chuveiro, do dia a dia mesmo, onde os consulentes deverão fazer suas orações com muita fé e respeito, enquanto tomam o banho, mentalizando a água caindo por todo o corpo, limpando e afastando todo tipo de energia negativa e consequentemente restaurando a saúde e o equilíbrio físico e espiritual.

Este banho que acabamos de descrever também serve, e muito, para os trabalhadores do Terreiro, em nosso dia a dia e também antes das giras, nos casos em que não se dispõe das ervas ou não se dispõe do tempo necessário para fazer o banho de ervas tradicional.

02- Mistificação: enganar, mentir, iludir, fingir, sendo muito comum à intenção de prejudicar ou obter vantagem para si ou para terceiros.
- O médium mistifica quando se diz incorporado, quando na verdade, não existe nenhum guia se manifestando através dele.

- Podemos dizer que a mistificação é uma falsidade ideológica espiritual.

- Exemplos mais comuns das manifestações com características de mistificação:

- Guias que se preocupam com as horas.

- Guias que receitam medicamentos: tome um doril que passa.

- Guias que receitam treinamentos em academias.

- Guias que dizem estar com fome etc.

- Guias que orientam para jogos, loterias, previsões, amarrações, práticas de vingança e malfeitos em geral.

_ É necessário muita atenção dos cambonos e médiuns, 99% de nossos médiuns, são médiuns conscientes, isto é, tem consciência do que está acontecendo quando incorporam os guias.

Esta atenção deve ser redobrada quando os guias receitam banhos, chás, acendimento de velas ou eventuais outros tratamentos, para que tudo seja feito de acordo com o que o guia passou e principalmente se o que foi passado está em conformidade com o Regulamento do Terreiro.

_ É terminantemente proibido situações em que consulentes sejam orientados a fazer entregas, trabalhos, oferendas, em encruzilhadas, cemitérios, matas, etc., evitando assim situações extremamente perigosas, tanto do ponto de vista material como espiritual, que poderiam trazer sérios prejuízos aos consulentes e colocar os médiuns e o próprio Terreiro em situações extremamente constrangedoras.

_ Observação importante: Caso os guias orientem alguma entrega, trabalho ou oferenda, estas só poderão ser feitas pelo cambono chefe ou médiuns, desde que comunicadas e autorizadas pelo Pai ou Mãe da Gira.

_ É proibido aos médiuns ou cambonos fazerem trabalhos, descarregos, limpezas ou qualquer tipo de atividades mediúnica fora do Terreiro.

03- Fumo e bebida:

- Devemos dar especial atenção a estes dois itens muito importantes e também muito controversos na Umbanda.

- São dois elementos que, em seus componentes, carregam qualidades magísticas muito importantes para que seja possível desintegrar, afastar ou limpar energias negativas e densas, causadoras de desequilíbrios físicos e espirituais.

- O consumo abusivo destas substâncias pode acarretar sérios problemas aos médiuns, tanto físicos quanto espirituais.

- Recomendação muito importante, nas Giras em geral, é a observação e acompanhamento por parte de Pais, Mães e dirigentes de todos os médiuns que, no exercício de suas atividades, façam uso destas substancias, para que sejam evitados abusos, muitas vezes provocados por situações anímicas ou mistificadas, colocando em risco não só o médium, mas também os consulentes e o próprio Terreiro.

- Lembrando também que é nosso dever orientar aos médiuns que não é permitido bebida e fumo para menores de idade e que dirigir embriagado é infração de transito gravíssima.

_ Mais uma vez fica claro a responsabilidade e a seriedade que devem prevalecer nas atividades mediúnicas. As leis existem e deverão ser respeitadas por todos e o fato de sermos umbandistas não nos colocam acima da lei.

Muito ao contrário, seria grande ingenuidade pensar que se dizendo umbandista e dizendo que os guias é que fizeram uso do álcool, poderíamos escapar das multas e penalidades decorrentes de ser pego pela polícia dirigindo com volume de álcool no sangue, acima do que determina a lei.

Sobre a necessidade da presença de maior número de pessoas na gira de desenvolvimento:

_ Para que fique bem claro, quando se cobra a presença na gira de desenvolvimento da maior quantidade possível de pessoas, excetuando-se as situações de trabalho, estudo ou doença, esta exigência não é apenas uma questão de ordem pessoal, vinculada ao orgulho e a vaidade dos dirigentes do Terreiro.

_ Vai muito mais além das aparências, se o objetivo fosse apenas padronizar as falas e as ações praticadas no Terreiro, só este único fator, já seria um motivo mais que suficiente.

_ No entanto, existem outros vários motivos, sejam de ordem prática, física, psíquica, espiritual ou moral.

_ Quando falamos de estudo, de compartilhar conhecimentos e vivências práticas na Umbanda estamos trabalhando para que todos possam ter a oportunidade de evoluir, de se aperfeiçoar, tanto em suas vidas pessoais quanto nas práticas espirituais da Umbanda.

_ Somente através do trabalho e do estudo continuado é que poderemos colaborar para nossa evolução, para a evolução do nosso Terreiro e para a evolução de nossa Umbanda sagrada.

_ Trata-se de cumprir com nossas responsabilidades junto aos Orixás, guias e entidades que têm os mesmos compromissos com a evolução continuada, compromissos estes que são à base de todo o progresso espiritual e também do nosso progresso individual e coletivo, enquanto trabalhadores da religião de Umbanda.

Temos a obrigação moral de nos lembrarmos sempre de que em matéria de estudos espiritualistas:
  
   Todos somos aprendizes


Link para acesso direto ao regulamento do Terreiro da Vó Benedita:


terça-feira, 17 de maio de 2016

Gira Cigana - Homenagem a Santa Sara























HOMENAGEM A SANTA SARA KALI!

(4ª Terça feira do mês) - Gira Cigana - Homenagem a Santa Sara.
Terça-Feira, 24 de Maio de 2016 às 19h30min.
Terreiro Da Vó Benedita.
Rua Meciaçu 145 Vila Ipê, Campinas SP.
Organizado por Joãozinho Galerani, João Galerani, Afonso, Hosana e Laercio.

Santa Sara Kali a padroeira dos Ciganos Encarnados!
No dia 24 de maio comemoramos o dia de Santa Sara Kali.
Neste dia nós do Terreiro da vó Benedita na Gira Cigana vamos fazer nossa homenagem a Santa Sara, assim como fazemos as homenagem aos nossos queridos Orixás.
Vai ser uma Gira com a Entrega de um Novo Manto em agradecimento a Santa Sara pelos integrantes da Gira Cigana!
Convidamos a todos a vir como consulentes Trazendo Flores, Frutas, Incenso e Mira para compor a decoração e serem usados na Gira Cigana e prestar sua homenagem a Santa Sara.
Salve Santa Sara Kali! Salve Egunitá! Salve o Povo Cigano!
Com o desejo que toda a fartura, o amor, a liberdade e a prosperidade estejam presentes na vida de cada um!
Salve Santa Sara Kali! Salve o Povo Cigano! Arriba, Opcha!

HISTÓRIA DE SANTA SARA
Existem muitas histórias a respeito de Santa Sara, mas a mais difundida é a que entre os anos de 44 e 45 d.C., quando o rei Herodes perseguia os cristãos, alguns discípulos de Jesus foram colocados no mar, em embarcações sem remos e sem provisões, entregues à própria sorte. Numa dessas embarcações estavam Maria Madalena, Maria Jacobé, Maria Salomé, José de Arimatéia e Trofino que, junto com Sara, uma cigana escrava, foram atirados ao mar. As três Marias entraram em desespero, chorando e rezando. Então, Sara retirou o diklô (lenço) da cabeça, chamou por Kristesko (Jesus Cristo) e fez um juramento: se todos se salvassem, ela seria escrava do Mestre Jesus e jamais andaria com a cabeça descoberta, em sinal de respeito.

Milagrosamente, a barca sem rumo e à mercê de todas as intempéries, atravessou o oceano e aportou com todos salvos em Petit-Rhône, hoje Saintes-Maries-de-La-Mèr, na França. E Sara cumpriu sua promessa até ao fim de seus dias. Até hoje, o diklô (lenço) é um simbolismo forte entre os Ciganos. Significa a aliança da mulher casada, um sinal de respeito e fidelidade.

Das Marias, a história não guarda vestígios ou mesmo seus destinos, mas quanto a Sara, dizem que ela foi cuidada pelo povo cigano e o ajudou a tornar-se unido e a desenvolver-se como povo e como cultura.

Muitos creem que milagres de cura são realizados por Santa Sara, sendo que as ciganas clamam muito a Santa Sara para trazer saúde e prosperidade e ajudá-las diante da dificuldade de engravidar, ou pedem por um bom parto e também é de conhecimento de todos que chamam por ela na hora do parto em dificuldade, ou ainda para os partos com risco de vida para a mãe ou a criança e ao terem seus pedidos atendidos, prometem ir até à cripta da Santa, em Saintes-Maries-de-La-Mèr, cumprindo uma noite de vigília e depositando em seus pés, como oferenda, o mais bonito lenço (diklô) que encontrassem. E lá existem centenas de lenços, como prova que muitas Ciganas receberam esta graça.

Todos os anos milhares de Ciganos de todo o mundo vão para a região de Camargue (Sul da França), onde fica o Santuário de Santa Sara. Os Ciganos peregrinam às margens do mar Mediterrâneo para louvar Santa Sara. Essa peregrinação acontece nos dias 24 e 25 de maio em Saintes-Marie-de-La-Mèr.

Muitos, ainda, rogam a Santa Sara pela prosperidade e pela fartura em suas mesas.

A ORIXÁ EGUNITÁ REGE A LINHA DE CIGANOS NA UMBANDA.
Na Umbanda a Orixá Egunitá, que é feminina, de polaridade negativa, absorvente. Egunitá é o Trono Feminino da Justiça, e juntamente com Xangô formam o par vibratório que regem sobre toda a justiça, formando a quarta linha da Umbanda a linha da Justiça.

Se alguém foi injusto com você, recorra a ela. Egunitá consome tudo o que é injusto. Mas, cuidado: peça sempre para que ela interceda de acordo com a Lei e a Justiça Divina, pois nossos conceitos de certo e errado ainda estão muito ligados ao mundo terreno, humano. Se for merecedor, esta mãe intercederá a seu favor, não tenha dúvidas. É ela quem executa a Justiça, depois que a Lei Divina é aplicada. Ou seja, a Lei (ar) alimenta a Justiça (fogo), e assim caminham sempre juntas.

Seu elemento é o fogo da purificação; sua vela é laranja ou dourada; sua pedra principal, a ágata de fogo.

CIGANOS NA UMBANDA
Os Ciganos são um povo muito antigo, mas representa uma linha nova de trabalho na Umbanda Sagrada. Inicialmente se manifestaram na Linha do Oriente, mas com o tempo adquiriam uma linha de trabalho própria. Suas giras são muito alegres, divertidas e coloridas. Gostam muito de música e da dança.

A linha de ciganos, na Umbanda, são regidos por Egunitá, esta mãe guerreira. São Guias alegres, que trabalham com fitas, frutas, incensos, música. Seu campo de atuação está principalmente vinculado ao Amor aos trabalhos de Cura ao Dinheiro e a Justiça. Têm uma sabedoria incrível com relação à Magia, e um respeito profundo à natureza como um todo.

Os Ciganos trabalham muito com os consulentes visando à sua prosperidade, à união das famílias, o amor, a cura e também a quebra de magia negra. Gostam muito de dar conselhos visando a prosperidade e a riqueza espiritual.

As Ciganas adoram lenços, saias e bijuterias. Os Ciganos também gostam de lenços coloridos, cigarros, colares e brincos. Ciganos e Ciganas gostam de taças com vinho ou champanhe, moedas douradas, leques, flores amarelas, laranjas, vermelhas (rosas, principalmente), incensos. Se você tem problemas nessas áreas, consulte-se com um desses Guias, ou mesmo peça à linha de ciganos que o auxilie. Acenda uma vela, adicione um cálice com água e uma rosa vermelha, acenda um incenso, e até mesmo umas três moedinhas douradas. Acalme o pensamento e peça com fé pela força e proteção desse povo rico e sábio. Você pode se surpreender com os resultados!

Que a alegria, a magia e o colorido dos Ciganos sempre estejam presentes em nossas vidas. Que tenhamos sempre prosperidade.

Salve o Povo Cigano! Salve o Povo do Oriente! Salve a Roda e Salve a Prosperidade!

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Pontos e Atabaques - Quarto encontro do ano de 2016 - Sábado, 21 de Maio de 2016 às 15h00min.


(3º Sábado do mês) - Pontos e Atabaques as 15h00min.

Sábado, 21 de Maio de 2016 às 15h00min.

Terreiro Da Vó Benedita

Rua Meciaçu 145 Vila Ipê, Campinas SP.

Organizado por Joãozinho Galerani, João Galerani e Grazi.

Quarto encontro do ano de 2016 - Pontos e Atabaques.

Evento este com intuito de aprimoramento no toque dos atabaques por seus responsáveis os fundamentos e a importância e responsabilidade do ato que vão praticar e o aprendizado dos pontos que já cantamos e novos pontos para serem cantados por todos os membros de nossa casa em todas as giras.

Aberto a todos os membros do Terreiro da Vó Benedita do Congo.

FUNDAMENTOS DE CANTAR, BATER PALMAS E TOCAR ATABAQUES NA UMBANDA.

Os Atabaques São Sagrados, e Tem a Capacidade de Através dos Seus Toques e Vibrações Convocar os Orixás à Terra.
São os Códigos de Acesso e a Chave para o Mundo Espiritual!

Para tentar explicar como se dá a comunicação entre os planos espiritual e material, grosseiramente, podemos imaginar essa comunicação através de freqüências.

O rádio, a TV, o celular são exemplos. Estes aparelhos emitem freqüências de um ponto, o transmissor, até outro ponto, o receptor. As freqüências não se cruzam porque uma é mais forte do que a outra. O receptor recebe apenas a freqüência na qual está programado.

Analogamente, se imaginarmos que nossos pensamentos são como freqüências e as vibrações emitidas pelos espíritos também são freqüências, podemos dizer que são essas freqüências que ligam espíritos e matéria, onde conseguimos nos conectar com os espíritos de acordo com nossos pensamentos e atitudes, logo, pensamentos baixos atraem espíritos de camadas mais inferiores do plano espiritual, e pensamentos mais elevados, atraem espíritos mais elevados.

Quando nos dirigimos ao terreiro, dependendo de como foi nosso dia, nossa semana, nós estamos vibrando numa freqüência tal que pode interferir nos trabalhos, ajudando ou atrapalhando. Um dia vivido em torno de brigas e discussões, alimentação pesada, pensamentos voltados para o ódio, má conduta, etc, deixam a freqüência muito baixa, atraindo espíritos que vibram numa esfera mais baixa, e isso faz com que o trabalho seja prejudicado. Um dia bem vivido, trabalhado e participativo nas coisas particulares, uma boa alimentação, bons pensamentos, preparação mental para a gira, faz com que nossa freqüência fique mais elevada, atraindo espíritos de esferas mais elevadas.

Para que os trabalhos não sofram variações excessivas de freqüências, para que se evitem a atração de espíritos de esferas inferiores e para o bom andamento da gira, é usado um artifício que acelera o processo para que todos, ou pelo menos a maioria, se concentrem no trabalho e eliminem pensamentos mais baixos, que é de cantar e bater palmas.

Como funciona?

Ao final de um espetáculo, um show, um discurso, normalmente as pessoas batem palmas para demonstrar àquele que se apresentou o agradecimento, por compartilhar aqueles minutos de entretenimento ou aprendizado. Se as palmas se estenderem por vários segundos, aos poucos elas vão entrando num ritmo e muito rapidamente todas as pessoas batem palmas no mesmo ritmo e, junto com essa sonorização, algo começa a acontecer: as pessoas começam a se sentir mais alegres, com vontade de rir, ou seja, as pessoas ali envolvidas começam a vibrar numa mesma freqüência, e inconscientemente, todas estão fazendo as mesmas coisas que as outras pessoas estão fazendo.

Já com o canto, logo de início, todos começam a cantar juntos, e isso faz com que a vibração das pessoas se equalize mais rapidamente.

Quanto mais cantamos, mais batemos palmas, mais rapidamente elevamos o nível de freqüência das pessoas, fazendo com que, momentaneamente, os problemas, a baixa auto-estima, as preocupações, sejam esquecidos, pois todos começam a prestar atenção no trabalho que está sendo realizado e isso ainda ajuda a absorver as informações que estão sendo passadas.

Com a freqüência estabilizada, os espíritos conseguem se aproximar mais facilmente de nós, permitindo assim que o trabalho transcorra com mais facilidade e de acordo com o pretendido pelos planos espiritual e material.

Para acelerar mais ainda o processo, usa-se o atabaque, pois o som emitido pelo atabaque ajuda a igualar o ritmo cardíaco de todas as pessoas no terreiro, fazendo com que, por exemplo, para quem chega muito afobado, o ritmo cardíaco é normalizado, diminuindo a afobação, ou para quem chega muito para baixo, com o aumento do ritmo cardíaco, ajuda na elevação da auto-estima. Com base nisso, por estarmos cantando e batendo palmas, além de estarmos mudando nossa freqüência, também estamos praticando caridade, por já estar ajudando outras pessoas.

Com todos participando, batendo palmas e cantando, o clima do terreiro já fica muito melhor, pois todos estão ajudando, focados num mesmo objetivo.

No plano espiritual, os guias preparados para o trabalho, aguardam nossa vibração equilibrar-se com a vibração deles, e assim que nossas freqüências começam a se igualar, eles se aproximam e iniciam o processo de incorporação.

Quando começamos a cantar os pontos dos guias que trabalharão na gira, estamos dizendo para os guias que já estamos prontos e podemos começar a incorporar.

Normalmente, no processo de incorporação, os guias cantam, muitas vezes para si, para que seja mais fácil ainda, e no caso de um guia estar trabalhando no desenvolvimento de um cambono, o guia canta para o cambono ouvir o ponto e elevar sua freqüência para facilitar a incorporação.

Cantamos pontos para ajudar a desincorporação, facilitando assim a “subida” dos guias que levam com eles todo e qualquer tipo de fluído ou influência que possa atrapalhar o médium.

Os pontos cantados trazem mais energia do que podemos imaginar. Quando feitos pelos guias, são conhecidos como “pontos de raiz” e as palavras não podem ser mudadas, pois toda a mironga feita pelo guia está nas disposições das palavras. Quando feita pelo homem, as palavras podem ser mudadas e adaptadas para que fiquem bem arranjadas.

Se prestarmos atenção, alguns pontos parecem não fazer sentido, mas quando cantados, no ritmo certo, acabamos fazendo as mirongas que estão escondidas nos pontos. É por isso que alguns pontos possuem palavras conjugadas de maneira errada ou em tom bem caipira, pois essas palavras foram inseridas nos pontos propositalmente, para poder servir como “palavras mágicas” a serem proferidas por todos, ou seja, os sons que essas palavras produzem é que produzem os efeitos requeridos.

Alguns pontos, quando entoados, podem afastar diversos males, como espíritos obsessores ou pessoas que tentam derrubar o terreiro.

Há pontos de saudação, para defumação, para firmeza, para afastar quiumbas, para descarrego, para despedida, para provocação, para cruzamento de linhas, para cruzamento de falanges, etc. Cada um deve ser cantado de acordo com sua finalidade para o bom andamento do trabalho.

Alguns pontos devem ser evitados cantar tanto dentro do terreiro quanto em nossas casas, pois eles podem atrair maus espíritos. Pontos que falam muito de cemitério, morte, ou qualquer tipo de bestialidade devem ser evitados.

Os atabaques não são simplesmente caixas de madeira com um couro para se batucar, eles são preparados e energizados para o trabalho logo que são trazidos para o terreiro.

Ao ser entregue no terreiro, primeiro é trocado o couro que vem com o atabaque, para eliminar os fluídos de “comércio” que foram depositados sobre ele na loja que o comercializa; depois, são feitos os primeiros preparos de limpeza do atabaque; em seguida, o guia chefe da casa cruza o atabaque iniciando o processo de mironga que será depositada sobre o atabaque. São colocados patuás de acordo com o guia que será o “dono” do atabaque e são feitas rezas sobre ele para fortalecer a energização.

O ogan chefe, ou atabaqueiro chefe, pede forças e energia para o guia, dono do atabaque, para que sejam depositados os fluídos necessários no couro, e toca o atabaque pela primeira vez para que sejam abertas as forças que regerão o atabaque. Em seguida o atabaque é entregue ao ogan que tocará o atabaque nos trabalhos.

Normalmente em um terreiro, os atabaques são múltiplos de três, mas são os guias que definem o número correto a ser utilizado nos trabalhos. O maior dos atabaques é o Rum, destinado ao guia que rege a casa; o segundo, é o Rumpi, destinado ao segundo guia que rege a casa ou ao guia que rege a coroa do pai ou mãe-de-santo fundadores do terreiro; o terceiro, e o menor deles, é o Lé, muitas vezes destinado à Exu ou a um guia homenageado pela casa. As ordens dos donos de cada atabaque são definidas pelos guias que regem o terreiro, podendo eles alterar essa disposição.

O Rum é sempre tocado pelo ogan chefe e só poderá ser tocado por outro ogan
desde que o ogan chefe permita. Ele, o Rum, serve para dar os primeiros toques nos pontos, repicar e conduzir os trabalhos. O Rumpi é tocado pelo segundo ogan, dando o ritmo do toque e mantendo a harmonia. O Lé é tocado pelo ogan iniciante, que ainda está em processo de aprendizado, seguindo sempre os toques do Rumpi.

Se um ogan de outro terreiro visitar a casa, este deve pedir autorização ao guia chefe para poder tocar o atabaque, e deverá ter permissão do ogan chefe para tocar o atabaque, que lhe direcionará ao atabaque próprio para receber um convidado (normalmente não é permitido ao convidado tocar no Rum).

Em terreiros tradicionais e candomblés, o ogan chefe sempre é considerado o detentor do conhecimento sobre as giras, assumindo sempre sete anos a mais de experiência sobre o pai ou mãe-de-santo. Isso se deve ao fato de que o ogan conhece todos os preparos para as giras, e é quem conduz a energia de sustentação dos trabalhos.

Os guias normalmente indicam os futuros iniciantes ao ofício de ogan, mas cabe ao ogan chefe permitir a entrada e designar o atabaque para o iniciante.

Um ogan mal intencionado pode derrubar uma gira apenas tocando o atabaque, e muitas vezes, consegue derrubar todo o terreiro. Para que se evitem problemas, há pontos chamados de provocação, onde o ogan do terreiro tenta quebrar as forças do ogan mal intencionado entoando pontos de quebra de forças e demanda.

Cada ogan tem sua função nas giras, além de tocar os atabaques e facilitar a corrente de energias. Um dos ogans, sempre volta sua atenção ao que acontece dentro do congá, mantendo o trabalho em equilíbrio e de acordo com as orientações do guia chefe; outro ogan tem sua atenção voltada à assistência, onde fica atento sobre possíveis problemas ou olhares de pessoas mal intencionadas; o terceiro ogan presta atenção de uma maneira geral, auxiliando os outros ogans.

Alguns terreiros de candomblé não permitem que mulheres sejam ogans alegando, segundo Mattos “(…) que elas não poderiam usar os instrumentos sagrados por ficarem de pajé (menstruadas)” (pg. 93). Ainda citando Mattos, “(…) porém, naumbanda, um indivíduo feminino tem totais condições de ser uma atabaqueira, sem problema algum. Se considerarmos que os Ogãs tem um poder divino, uma faculdade mediúnica musical, esta não vem com o gênero, e sim com o espírito e este por ter origem na essência divina, não tem sexo”

Há outros instrumentos que são usados nos trabalhos para auxiliar os toques dos atabaques, como o agogo, chocalho, triângulo, pandeiro, berimbau, etc.

É importante que os filhos da corrente e a assistência participem das giras cantando e batendo palmas, pois sem essa união de forças dificultam o bom andamento do trabalho. Se não sabe o ponto, bata palmas, mas principalmente, preste atenção nos pontos, pois normalmente eles são curtos e repetitivos, fáceis de aprender. Para os pontos mais longos, que quase não se repetem, ou mesmo para aqueles pontos que são cantados em giras especiais, como de ciganos, marinheiros ou boiadeiros, os terreiros muitas vezes deixam disponíveis pastas com os pontos escritos, e em alguns casos, as pessoas se reúnem antes das giras para cantarem os pontos e aprenderem aqueles que não sabem.

Não é vergonha não saber os pontos, vergonha é não participar, não ajudar a cantar ou bater palmas, assim como achar que não tem voz boa pra cantar e por isso não cantar.

Cantar ajuda a todos, aos guias, aos médiuns, aos cambonos, a assistência, a afastar maus espíritos, más influências, miasmas no plano astral, energias negativas, e atrai sempre bons fluídos, boas energias e boas vibrações.

Bibliografia Consultada

Primeiro Congresso Brasileiro do Espiritismo de Umbanda – Federação Espírita de
Umbanda – Editado pela Federação Espírita de Umbanda – 1942
MATTOS, Sandro da Costa O livro Básico dos Ogans .
ORPHANAKE, João Edson A umbanda às suas ordens. Tríade Editorial
ORPHANAKE, João Edson Umbanda Perguntas e Respostas. Tríade Editorial
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