PADRINHO JOÃOZINHO DIRETOR EXECUTIVO da ARMAC Membro do FOESP - Fórum das Comunidades de Terreiro e de Tradições de Matriz Afro-Brasileira de SP Vice-presidente da FEUCEM Membro do Conselho de Desenv. Participação da Comunidade Negra de Campinas Dirigente Espiritual do Terreiro da Vó Benedita Membro do Comitê Técnico de Saúde da População Negra de Campinas Membro do Coletivo de Combate ao Racismo da CUT Membro da Comissão da Verdade sobre a Escravidão no Brasil da OAB
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quarta-feira, 16 de março de 2011
terça-feira, 8 de março de 2011
PAI JAÚ

Olá irmãos
Que a paz de Oxalá esteja com todos
"Um apelido como qualquer outro" era a resposta que Euclides Barbosa dava quando lhe perguntavam de onde ou do que havia surgido o apelido Jaú.
Evitava falar de sua vida e das mulheres que sempre povoaram sua existência de alegrias e muitos dissabores. Apenas dizia que, como filho de Ogum, estava seguindo à risca os ensinamentos de seu pai.
De fato, o cidadão Euclides Barbosa, que ficou conhecido como Jaú, sempre foi um líder, desbravando territórios que ainda não haviam sido tocados por nenhum outro brasileiro.
Sua espiritualidade, como a de todos os seres que são contemplados com este tipo de missão, surgiu nos primeiros anos de sua vida, mas a visita a algumas benzedeiras da época retardou a explosão espiritual, que se deu após encerrar sua brilhante carreira como jogador de futebol.
"Sou uma pessoa que tem três pesos e três medidas: sou da raça negra, umbandista e corintiano."
Sábias palavras de quem tinha um parco conhecimento das letras, mas um infinito instinto de sobrevivência e de garra para não se deixar derrubar por nada neste mundo.
Suas façanhas no futebol foram cantadas em versos e prosa; a mais conhecida foi um jogo de vida e morte do "Coringão".
Jaú, em uma dividida de bola, acabou tendo um ferimento grave na cabeça. Sua presença era essencial para que o time conseguisse vencer o adversário.
Foi nesse instante que recebeu, pela primeira vez, uma mensagem espiritual, e a levou a sério.
Jaú estava deitado na maca, fora das linhas do campo, o médico dizendo ao técnico que ele não poderia voltar ao jogo, pois o sangue não parava de jorrar e, provavelmente, ele havia sofrido uma concusão cerebral; somente um milagre faria com que ele se levantasse. Quando olharam para o lado, Jaú estava de joelhos, olhando para o infinito, como se estivesse ouvindo instruções, e passou a mão no gramado, arrancou um chumaço de grama, colocou no ferimento, e, ainda seguindo as instruções, enfaixou a cabeça. Depois, solenemente encostou a testa na terra e levantou-se, como que impulsionado por uma mola, entrando vitorioso no campo, sob os aplausos da torcida e a perplexidade do médico e do técnico.
Mais tarde, este gesto de tocar o solo do gramado com a testa passou a ser marca registrada do grande jogador e tinha tanta influência entre os colegas que ninguém se atrevia a colocar os pés no gramado sem que houvesse o toque da sorte, como passou a ser conhecido.
Quando Jaú pendurou as chuteiras e passou a dedicar-se inteiramente à sua missão religiosa, teve realmente de ter o mesmo espírito de luta que sempre lhe acompanhou nas disputas esportivas.
Sua religião era mais discriminada do que ser da raça negra ou então ser corintiano.
Mesmo sem jogar, continuou fazendo, no Pacaembu, toda a vez que o timão fosse jogar, suas "mandingas" no campo para dar sorte aos jogadores.
O radialista Estevam Sangirardi imortalizou a figura de Jaú nos programas que eram apresentados após cada jogo e ninguém reclamava, pois realmente era uma homenagem merecida ao grande guerreiro.
Na religião, não teve tanto reconhecimento, ao contrário, foi o mais discriminado, o mais criticado e o mais perseguido pela polícia, que juntava a bronca de Jaú ter sido grande jogador corintiano com o fato de sua magia ainda ajudar nas grandes partidas.
Foi preso diversas vezes, sob alegação de estar praticando feitiçarias. Passou por muitas torturas, como ficar horas ajoelhado no milho; dias e noites sem comer, recebendo apenas goles de água. "Se ele recebe mesmo espíritos, não precisa comer nem beber", satirizavam os carrascos. Por fim, acabavam libertando-o, pois os filhos-de-santo se aglomeravam defronte à delegacia e, cantando pontos de Umbanda, pediam a libertação de Pai Jaú.
Uma das torturas mais cruéis ocorreu quando o Timão estava disputando uma final e Pai Jaú, ao acabar de fazer sua mandinga de sorte, disse ao técnico que o zagueiro deveria ficar mais solto, pois o gol da vitória estaria em seus pés. Não deu outra e o Timão foi campeão daquele ano. Não mencionaremos o nome do time adversário para não causar constrangimento, pois temos certeza de que o ato praticado por alguns indivíduos não era a vontade de todos os torcedores.
A noite, Pai Jaú estava fazendo seu trabalho espiritual, quando seu pequeno terreiro foi invadido por policiais, que alegaram ter recebido uma denúncia de que no local estavam promovendo uma orgia pela vitória do Timão. Pai Jaú foi arrastado para o camburão e levado para a delegacia, não na mesma de sempre, o que dificultou aos filhos localizarem prontamente e pedirem sua soltura.
Até que fosse encontrado, na noite seguinte, Pai Jaú passou pela humilhação de ficar no "pau-de-arara", levando choques e foi jogado entre marginais de outros times, que o espancaram.
Não satisfeitos, os policiais separaram dez palitos de fósforo, fizeram pontas bem finas e enfiaram, bem devagarzinho, entre as unhas das mãos de Pai Jaú, que nesse momento invocou a proteção do Sr. Ogum.
Foi atendido; quando os carrascos acenderam os palitos, ele começou a ver, nas chamas, uma espécie de luz, formando uma figura de índio. De seus olhos escorreram lágrimas, não de dor e sim de pena daqueles sujeitos que acharam que estavam lhe fazendo um grande mal. Estavam lhe proporcionando passar por um grande milagre espiritual.
Os policiais foram afastados a bem do serviço e nunca mais Pai Jaú foi perseguido pela polícia.
Até os 82 anos, idade em que faleceu, Pai Jaú atendia pessoas todas as quartas-feiras. Todos admiravam seu caboclo, pois sempre vinha do mesmo jeito, independente da idade ou da saúde do velho guerreiro. Na incorporação, seu corpo estirado se elevava mais de um metro do chão e, ao tocar no solo, o caboclo batia a cabeça no chão, no gesto característico do grande Decano.
Como já aconteceu com muitos sacerdotes, por não deixar por escrito sua vontade, após sua morte, no que diz respeito a cerimônia e legados, Pai Jaú sofreu a discriminação e o desrespeito. Seus filhos-de-santo não puderam fazer nada, pois a família, com exceção de seu filho Jair, que nunca havia participado de sua vida, proibiu qualquer cerimonial umbandista e, no dia seguinte ao enterro, sua filha evangélica desmontou o congá, jogou tudo na rua e colocou fogo, sob os olhos atônitos dos vizinhos, que não puderam ou não quiseram interferir.
Terminava assim a trajetória de um homem que honrou seu tempo, seus amigos e seus filhos espirituais, mas que recebeu muito pouco ou quase nada em troca, a não ser sua própria luz na eternidade.
Exu na Quaresma

por Mauricio D'Ogum em Sex 12 Mar 2010, 20:21
É importante entender que a quaresma é um período Cristão, eles acreditam que neste período os espíritos do baixo astral estão a solta para nos tentar e até terem oportunidade para regenerar.
Por isto, entendemos que nesta época os espíritos sem luz soltos, graças às crendices da legião cristã, se aproveitam desta situação para perturbar as pessoas e influencia las ainda mais em suas vidas.
Realmente é lamentável o comportamento e pratica de alguns Umbandistas, que por falta de estudos e melhor desenvolvimento de suas qualidades mediúnicas, acreditam que neste período não podem e não devem trabalhar com os Exus.
A imagem pejorativa de Exu-diabo, simbolizada por figuras grotescas, com chifres, rabos, pés de bode, tridentes, sendo tal imagem do mal, foi erroneamente absorvida e difundida por alguns umbandistas.
Lamentável, pois tal postura e comportamento somente fundamenta as comparações erradas que EXU seja a manifestação do diabo, demônio e tudo que esteja ligado às coisas do mal.
Em realidade os Exus constituem-se em uma notável falange de abnegados espíritos combatentes de nossa Umbanda. Para nós, são os mais dedicados e devotas servos de Deus.
São hierarquicamente organizados e realizam tarefas atinentes à sua faixa vibratória. São os elementos de execução e auxiliares dos Orixás, Guias e Protetores, tendo, entre outras tarefas, a de serem as sentinelas das casas de Umbanda, de policiarem o baixo astral e anularem trabalhos de baixa magia.
Ao contrário do que pensam e declaram algumas pessoas, (eles) têm noção exata de Bem e Mal. São justos, ajudando a cada um, conforme merecimento e as ordens superiores aquele que a ele pede auxílio.
São os Exus que freiam as ações malévolas dos Obsessores, que atormentam os humanos no dia-a-dia. E nos protegem para conquistarmos ou preservamos o que é nosso por merecimento.
É os vigilantes ostensivos, a tropa de choque que está alerta contra os kiumbas, prendendo-os e encaminhando-os às Colônias de Regeneração ou Prisões Astrais. Por conta disto, que em tudo e para tudo, sua força e presença são invocadas em primeiro plano.
Em algumas ocasiões é comum ver manifestações em templos de Umbanda e principalmente em templos de outras religiões, espíritos que tumultuam o ambiente, promovendo espetáculos circenses, galhofas, e se comportando de maneira deselegante para com os presentes, xingando-os e proferindo palavras de baixo calão, se dizendo ser Exus.
Tal Comportamento não deve ser imputado aos Exus, e sim aos Kiumbas, perturbadores, obsessores e espíritos moralmente atrofiados e que ainda não compreenderam a imutável Lei de Evolução, apegados que estão aos vícios, desejos e sentimentos humanos.
Estes Kiumbas,obsessores e etc., para penetrarem nos terreiros, fingem ser Caboclos, Preto-Velhos, Exus, Crianças etc., cabendo ao Guia-chefe da Casa estar sempre vigilante ante a determinada conduta, como palavrões, exibições bizarras, ameaças etc.
A que ponto pode chegar à ignorância humana em visualizar estes seres espirituais como meros negociantes ilícitos, fazendo dos terreiros balcões de negócios, em total dissonância com o bom senso e a Lei Suprema. Exu não é marionete. Exu não é o diabo. Exu é símbolo de dinamismo, aperfeiçoamento espiritual constante.
É necessário que os Filhos de fé e simpatizantes entendam que é justamente no período da quaresma, quando pela mentalização e crendice, acabam por dar força e liberdade ao baixo astral que necessitamos da proteção, amparo e orientação de nossos Exus e Guardiões.
Não trabalhar ou se socorrer aos Exus no período da quaresma e dar oportunidade e estar a mercê da força do mal e de suas influencias negativas em nossas vidas. Neste período muitas pessoas se perdem e acabam por viver anos em volta a dificuldades e desencontros.
Procurem compreender, aprender e praticar melhor sua religiosidade, sem se deixar influenciar pela religiosidade e costumes religioso de outras religiões. Se você é Umbandista e freqüenta um templo que fecha neste período. É o mesmo acreditar que coisa ruim tira férias, que você não fica doente, que coisas ruins não vão te acontecer e muito mais.
Não deixe de cuidar da sua religiosidade e fique atendo a mudanças de comportamento, um verdadeiro umbandista não se presta e não permite que as influencia do mal o perturbem e muito menos deixa de praticar a caridade espiritual e religiosa por conta de tempo em sua vida.
O verdadeiro umbandista esta sempre atendo e a disposição de ajudar e amparar os irmãos de fé e amparar os espiritos perdidos.
extradido do site: WWW.SOMOSFILHOSDEORIXA.COM.BR
Umbanda e Quaresma

Dentre os vários compromissos que os verdadeiros Umbandistas devem ter para com a religião que abraçaram, estão os de esclarecerem, difundirem e enaltecerem os reais valores, bases e diretrizes de nossa Sagrada Umbanda. Desta forma, observações, avaliações e conceitos devem alcançar e modificar determinadas condutas que, embora habituais, têm como base preceitos estranhos a nossa religião.
Neste contexto, reportemo-nos, sucintamente ao ato litúrgico católico nominado Quaresma. A Quaresma e o próprio nome revela, é um período de 40 dias que tem início após as festas ditas profanas (carnaval), culminando no domingo de páscoa. Tem como finalidade, segundo os católicos, preparar o indivíduo, mediante processos de conversão e penitência, para a expurgação de influências carnais e mundanas e a absorção de valores sagrados. Tal período litúrgico, afirmam alguns, se consolidou no final do século III, tendo sido citado no 1° Concílio (Assembléia) Ecumênico de Nicéia, no ano 325.
Não obstante respeitarmos esta prática religiosa, própria dos católicos, devemos ter em mente que tal habitualidade pertence ao catolicismo, e não a Umbanda. E por quê então um número razoável de terreiros fecham suas portas, suspendendo as atividades espírito-caritativas durante este período?
1° Influência dos tempos de Catolicismo:- muitas pessoas que hoje são dirigentes Umbandistas, no passado professavam a religião católica. Converteram-se à Umbanda, mas esqueceram-se de deixar na antiga religião preceitos próprios da mesma.
2° Justificação para longas férias: - encontram no período católico da Quaresma o meio ideal de justificarem sua vontade particular de descanso, de deleites materiais, sem serem alvos de críticas por estarem suspendendo atividade de auxílio espiritual aos necessitados, uma vez que a maioria não sabe o que é quaresma.
Os Umbandistas, consoante o que foi mencionado, devem ter consciência e convicção de que os terreiros são verdadeiros pronto-socorros espirituais e jamais poderão fechar suas portas a médiuns e assistentes. Ou será que a tristeza, a frustração, as demandas, as doenças, e outras situações negativas deixam de afligir as pessoas durante a quaresma?
Sejamos sensatos. A Umbanda é religião cristã. É fato. Não significa, no entanto, que tenhamos de aplicar atos litúrgicos alienígenas à mesma.
Se os católicos são de opinião que a melhor forma de expiar suas faltas é jejuar e fazer penitência, ficando na última semana dos 40 dias a chorar o sofrimento de Jesus, bom para eles.
Nós umbandistas somos sabedores que o Meigo Nazareno não quer que soframos por Ele, mas sim que coloquemos em prática suas lições de amor, fé, caridade e fraternidade, virtudes que pregou quando encarnado, como alicerces seguros para a evolução da humanidade.
Reverenciemos o Cristo da Galiléia com trabalhos espirituais, que não podem parar, pois que o socorro é sempre urgente. A Umbanda é a manifestação do espírito para a caridade. E caridade é Jesus em ação.
Saravá Umbanda !!!
Texto extraído do site www.jornalumbandahoje.com.br
quarta-feira, 2 de março de 2011
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