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sábado, 2 de janeiro de 2016

Afinal, o que é um Orixá?

Uma das grandes dificuldades no entendimento da Umbanda para pessoas que ainda não conhecem a religião é entender o que é um Orixá.  Vivemos numa sociedade com forte base católica, nos é ensinado nas escolas o que é um Santo e o que é Deus.  É como se tivéssemos sido ensinados a contar em algarismos arábicos e, de repente, nos fosse solicitado fazer uma conta em algarismos romanos.

Eu mesma, quando comecei na Umbanda, tive uma certa dificuldade de entender a força e a beleza dessas energias vitais que ao lado de Deus (Olorum) regem nosso orbe.  Algumas leituras me ajudaram nesse entendimento e decidi compartilhar dois trechos de dois livros que me auxiliaram muito no caminho do conhecimento e acredito que também podem auxiliar a outros irmãos, que estão ingressando na Umbanda e ainda tem dificuldade de entender o que é um Orixá.  Ambos os livros são de leitura fácil e prazerosa e eu indico fortemente a leitura do livro completo.

O primeiro trecho é do livro chamado: “Natureza – onde reinam os orixás” (de Vovó Benta / Leni W. Saviscki).  Neste livro, um médium chamado Juliano juntamente com um grupo de jovens em desdobramento astral durante o sono, é conduzido a visitar o reino de cada orixá e seus servidores.  Uma belíssima estória que ilustra a área de atuação de cada uma das principais forças que regem a umbanda.  Logo no começo do livro, este trecho me chamou muita atenção e ajudou a entender como os orixás se conectam entre si e com a natureza:

“Para compreender como as forças da natureza interagem – o que nos auxiliará a entender a manifestação dos orixás -, basta que nos lembremos de como a natureza atua.
Exponho a seguir o que chamo de ciclo das águas para ilustrar a manifestação dos sete orixás básicos na natureza e incluo Nanã a fim de que possam compreender melhor porque a menciono como “Senhora das Águas Originais”.

Nascendo numa mina, a água (NANÃ) rola pelas pedras (XANGÔ), em queda, formando uma cachoeira (OXUM), que corre pela terra (OMULU), germinando-a para o nascimento das árvores (OXÓSSI).  Indo desaguar no mar (IEMANJÁ), sob o aquecimento do Sol (OGUM), que provoca a evaporação e precipitação na terra em forma de chuva (IANSÃ), a água reinicia o seu processo.

O culto à essas forças que agem e interagem de forma absolutamente harmônica chama-se Umbanda. Caridade e amor ao Pai, criador de tudo; amor e respeito à natureza e a tudo o que nela existe.” (Mãe Iassan A. Pery)

O segundo livro, “Contos D’Aruanda – e algumas mensagens de fé, paz e evolução” (André Cozta, ditado por Pai Thomé do Congo) traz vários contos belíssimos que narram o encontro de entre os filhos e seus pais ou mães de cabeça.  Cada uma das histórias mostra como essas pessoas (que poderiam ser quaisquer um de nós), ao atravessar uma dificuldade, encontrou em seu pai ou mãe a força que precisava para seguir em frente. 
Em um dos contos, o menino Samuel adormece na praia e encontra Mãe Janaína, enviada de Iemanjá.  É travada a seguinte conversa:

“Samuel pergunta:
- Por que eu estou passando por isso tudo? Por que primeiro dona Kayala, agora a senhora? Por que a Sagrada Mãe Iemanjá não apareceu para mim lá na ilha? Não seria mais simples?
- Meu filho amado, a Sagrada Mãe Iemanjá é um Orixá. Sei que você não sabe direito o que é ser Orixá e vou lhe explicar. Os Orixás, meu filho, são divindades regentes das vibrações, dos pontos de forças da natureza, ou cuidam, cada um em sua vibração, de uma parte da natureza.  Você já ouviu falar de Deus e já ouviu falar da Mãe Natureza, não é mesmo?
- Sim, sim, já ouvi sim!
- Então, filho amado! O universo é muito complexo.  Os Orixás estão assentados à volta do Nosso Divino Criador Olorum, cada um cuidando de sua vibração, governando o que lhes cabe no Universo.  Há aproximadamente duzentos Orixás, porém, na Umbanda, cultuamos alguns deles apenas.  Você ainda vai ouvir falar sobre as Sete Linhas da Umbanda.  Elas são, na verdade, os Sete Sentidos da Vida, que são regidos por 14 Orixás, em sete pares:

1) O Sentido da Fé (que se manifesta no chacra coronário, tem como elemento o cristal) é regido pelo Sagrado Pai Oxalá e pela Sagrada Mãe Logunã-Tempo;

2) O Sentido do Conhecimento (que se manifesta no chacra frontal, tem como elemento o vegetal) é regido pelo Sagrado Pai Oxóssi e pela Sagrada Mãe Obá;

3) O Sentido da Lei (que se manifesta no chacra laríngeo, tem como elemento o ar) é regido pelo Sagrado Pai Ogum e pela Sagrada Mãe Iansã;

4) O Sentido do Amor (que se manifesta no chacra cardíaco, tem como elemento o mineral) é regido pelo Sagrado Pai Oxumaré e pela Sagrada Mãe Oxum;

5) O Sentido da Justiça (que se manifesta no chacra umbilical, tem como elemento o fogo) é regido pelo Sagrado Pai Xangô e pela Sagrada Mãe Oro Iná;

6) O Sentido da Evolução (que se manifesta no plexo solar, tem como elemento a terra) é regido pelo Sagrado Pai Obaluaê e pela Sagrada Mãe Nanã;

7) O Sentido da Geração (que se manifesta no chacra básico, tem como elemento a água) é regido pela Nossa Sagrada Mãe Iemanjá e pelo Sagrado Pai Omolu (apesar de o elemento do Pai Omulu ser Terra, ele atua no Sentido da Geração como guardião da vida);

Mãe Janaína prossegue:
- Atuando pelo lado de fora desses Sentidos da Vida, como amparadores temos:
a) O Sentido da Vitalidade, regido pelo Orixá Exu;
b) O sentido dos Desejos, regido pela Orixá Pombagira;

Ela respira fundo e continua a falar:
- Mas você terá bastante tempo e, na hora certa, compreenderá o significado disso tudo.  O mais importante agora é você saber que todas essas Divindades estão assentadas em Tronos à volta da morada de nosso Pai Maior e Divino Criador Olorum (que o padre ensinou a chamar de Deus). Você é um filho de pemba, veio à Terra nessa vida com missão predeterminada na Umbanda, para trabalhar na vibração da nossa Sagrada Mãe Iemanjá, porque você foi criado por Nosso Pai Maior na vibração aquática.  E, para concluir, respondendo ao seu questionamento: como Orixá que ela é, com tantos filhos, tantas cabeças para cuidar, precisa de uma falange grande trabalhando e auxiliando-a.”

Espero com esse texto despertar a curiosidade e ajudar aos queridos irmão de fé a encontrarem o conhecimento e reforçarem sua fé.

Um grande abraço a todos e muito Axé!

domingo, 27 de setembro de 2015

Cosme e Damião

Cosme e Damião (para os católicos), Erê (na umbanda); santos gêmeos, seu dia é domingo, suas cores azul claro e rosa; sua festa é comemorada no dia 27 de setembro (invocando o Todo-Poderoso através dos Erês, São Cosme e São Damião, pede-se proteção, para as crianças; "com permissão do seu Anjo da Guarda"; sendo assim também uma reminiscência do dia em que Jesus foi batizado por São João Batista, escolhe-se madrinha e padrinho; de preferência da mesma religião; porque a criança também será protegida pelos santos de devoção ou Orixás de seus padrinhos); são dois anjos da amizade, do amor entre os homens, da fraternidade e compreensão, da alegrias, da pureza, sinceridade, simplicidade.
São Cosme, São Damião e Doum (os Eres) são os que possuem maior "força" na hierarquia Umbandista, para dominar a magia.
Brincando e rindo, efetuam maravilhosos trabalhos de descarregos fluídicos, afastando obsessores e espíritos não evoluídos que estejam prejudicando alguém. Manejam com grande pericia as energias da Natureza para desfazer feitiços ou ajudar a obter benefícios físicos e espirituais que as pessoas estejam precisando.
Nas suas passagens terrenas,(na umbanda chamamos de gira) o ambiente se torna leve, alegre, divertido, descontraído em qualquer situação; esta alegria é uma poderosa fonte de saúde e bem estar. A alegria ilumina o ambiente, aquece os corações. O sorriso desses anjos não conhece barreiras de idiomas, credos ou raças. A alegria é uma energia ilimitada e constantemente renovável, que vem do trono de Deus, nos céus, diretamente desses anjos (Eres) para iluminar voce, sua casa, seu caminho, e o que mais voce querer, é só crêr; Fé é o poder.
Ela (alegria, fé) não é momentânea nem circunstancial. Essa alegria é constante e eterna como é o nosso Deus. 
ORAÇÃO A SÃO COSME E DAMIÃO
São Cosme e Damião, que por amor a Deus e ao próximo vos dedicastes à cura do corpo e da alma de vossos semelhantes, mediquem o meu corpo na doença e fortalecei a minha alma contra a superstição e todas as práticas do mal.
Que vossa inocência e simplicidade acompanhem e protejam todas as nossas crianças. Que a alegria da consciência tranqüila, que sempre vos acompanhou, repouse também em meu coração. Que a vossa proteção conserve meu coração simples e sincero, para que sirvam também para mim as palavras de Jesus:
"Deixar vir a mim os pequeninos, porque deles é o Reino do Céu"
São Cosme e Damião rogai por nós.
Que assim seja, amém ! 
BANHOS:
Para Neném e crianças até 4 anos - Objetivo: acalmar, contra olho gordo, cólicas. Fazer no domingo, um punhado de camomila e 3 gotas de mel, fervidos em dois litros de água. Depois coar e jogar do pescoço pra baixo do neném. 
Para Crianças de 5 a 10 anos - Objetivo: acalmar, maior concentração, aprendizado, compreensão. Fazer no Domingo, um punhado de: hortelã, erva cidreira, erva-doce e uma colher de mel. 
Para adolescentes de 11 a 16 anos - Objetivo: irritação, revolta, desinteresse, concentração, comunicação. Fazer de quarta ou domingo, um punhado de: hortelã, melissa, erva cidreira, arruda, boldo e uma colher de mel. 
RITUAL PARA SEUS PEDIDOS:
Deverá ser feito no dia 27/09 ou no domingo dia 26/09.
Escreva em papel sem linha e a lápis seu pedido a São Cosme e São Damião, o pedido não precisa estar escrito legível, para que ninguém leia.
Em uma cesta de vime pequena, forre com 02 folhas de papel de seda; uma azul e uma rosa. Coloque primeiro o papel escrito, por cima 07 suspiros, 09 balas, 05 pirulitos, 03 maria-mole, 01 guaraná pequeno. Ofereça em um jardim florido, para São Cosme, São Damião e Doum. Obs.: Abra os doces e a guaraná. 
Muito Axé, realizações, alegrias eternas,nas vibrações desses mensageiros de Deus !! 

Ibeji

Ibeji
Dia: Domingo
Cores: Azul, Rosa e Verde
Elemento: Ar
Domínios: Nascimento e Infância
Símbolos: 2 Bonecos Gémeos, 2 Cabacinhas
Saudação: Bejiróó!
Ibeji é o Orixá-Criança, em realidade, duas divindades gémeas infantis, ligadas a todos os orixás e seres humanos.
Por serem gémeos, são associados ao princípio da dualidade; por serem crianças, são ligados a tudo que se inicia e nasce: a nascente de um rio, o nascimento dos seres humanos, o germinar das plantas, etc.
Ibeji na nação Ketu, ou Vunji nas nações Angola e Congo. É o Orixá Erê, ou seja, o Orixá criança. É a divindade da brincadeira, da alegria; a sua regência está ligada à infância.
Ibeji está presente em todos os rituais do Candomblé pois, assim como Exú, se não for bem cuidado pode atrapalhar os trabalhos com as suas brincadeiras infantis, desvirtuando a concentração dos membros de uma Casa de Santo. É o Orixá que rege a alegria, a inocência, a ingenuidade da criança. A sua determinação é tomar conta do bebé até à adolescência, independentemente do Orixá que a criança carrega.
Ibeji é tudo o que existe de bom, belo e puro; uma criança pode-nos mostrar o seu sorriso, a sua alegria, a sua felicidade, o seu falar, os seus olhos brilhantes. Na natureza, a beleza do canto dos pássaros, nas evoluções durante o voo das aves, na beleza e perfume das flores.
A criança que temos dentro de nós, as recordações da infância. Feche os olhos e lembre-se de um momento feliz, de uma travessura, e você estará a viver ou revivendo uma lenda deste Orixá. Pois tudo aquilo de bom que nos aconteceu na nossa infância, foi regido, gerado e administrado por Ibeji. Portanto, Ibeji já viveu todas as felicidades e travessuras que todos nós, seres humanos, vivemos.
A lenda e a história de Ibeji, acontece a cada momento feliz de uma criança. Ao menos para manter vivo este importante Orixá, procure dar felicidade a uma criança. Faça você mesmo o encantamento de Ibeji. É fácil: faça gerar dentro de si a felicidade de estar vivo. Transmita esta felicidade, contagie o seu próximo com ela. Encante Ibeji com a magia do sorriso, com o amor de uma criança. E seja Ibeji, feliz!
Características dos filhos de Ibeji
Os filhos de Ibeji são pessoas com temperamento infantil, jovialmente inconsequentes; nunca deixam de ter dentro de si a criança que já foram. Costumam ser brincalhões, sorridentes, irrequietos – tudo, enfim, o que se possa associar ao comportamento típico infantil.
Muito dependentes nos relacionamentos amorosos e emocionais em geral, podem revelar-se teimosamente obstinados e possessivos. Ao mesmo tempo, a sua leveza perante a vida revela-se no seu eterno rosto de criança e no seu modo ágil de se movimentar, a sua dificuldade em permanecer muito tempo sentado, extravasando energia.
Podem apresentar bruscas variações de temperamento, e uma certa tendência a simplificar as coisas, especialmente em termos emocionais, reduzindo, às vezes, o comportamento complexo das pessoas que estão em seu torno a princípios simplistas como “gosta de mim – não gosta de mim”. Isso pode fazer com que se magoem e se decepcionem com alguma facilidade.
Ao mesmo tempo, as suas tristezas e sofrimentos tendem a desaparecer com facilidade, sem deixar grandes marcas. Como as crianças, em geral, gostam de estar no meio de muita gente, das actividades desportivas, sociais e das festas.

domingo, 23 de agosto de 2015

Diferenças entre exu (guardião) e Exu (orixá)

DIFERENÇAS ENTRE EXÚ GUARDIÃO E EXÚ ORIXÁ
Laroiê Exu! (olhe por mim Exu)
Exu Mojubá! (Exu é forte e eu me curvo a sua força
 EXÚ ORIXÁ 
Exu nasce dentro do panteão africano, como Orixá.
Ele é o mensageiro dos Orixás
além de ser a divindade da vitalidade dentro do culto de nação.
Seu símbolo é o falo ereto, um bastão com cabaças na ponta ou chaves, e  nãoo tridente!
Este símbolo é apenas para
Exú Orixá e não Exú Guardião. 
Seu nome quer dizer "esfera" em yorubá.
Podemos encontrar a mesma força de Exu em outras culturas religiosas e em outras
divindades de povos e culturas diferentes, como o Dionísio e o Hermes dos
gregos, Seth dos egípcios, Lock dos nórdicos, etc.
Todos são divindades da
vitalidade e tem em um aspecto extremamente dual.
Nos cultos de Nação (Candomblé) Puros ou Tradicionais não existe Tranca - Ruas, Caveira, Encruzilhada, etc (Nomes simbólicos dos Exús - espíritos guardiões da Umbanda) 
Não incorpora-se Exu Guardião (Espírito de uma das linhas de trabalho, apenas o Orixá).
Na Nação existem qualidades ou Caminhos que acrescem nomes ao Orixá.
EXÚ GUARDIÃO
Na Umbanda não trabalhamos diretamente com o Orixá Exu.
Trabalhamos com espíritos humanos que trazem e manipulam essa força do Orixá Exu, junto com a força dos outros Orixás, cultuados na Umbanda (Ogum, Iansã, Xangô, Oxóssi, Oxum, Oxalá, Iemanjá e em alguns Terreiros, cultuam-se ainda Nanã Buruquê e Omolú.
Interpretando seus nomes simbólicos chegamos a força de
qual Orixá, exu manipula e responde, assim como qual seu campo de atuação.
Exu trabalha com as energias mais densas dentro da Umbanda, sendo especialistas em descarrego, desobsessões, curas, corte de magias
negras e demandas.
Exu é guardião e "polícia no astral".
Por isso Exu Guardião é firmado na Tronqueira, á entrada do Terreiro de Umbanda.
Exu é espírito que trabalha dentro da Lei, e dentro de um centro de Umbanda
nunca presta - se a trabalhos de magia negativa.
Utiliza - se cigarros e charutos para realizar limpezas energéticas nas pessoas que se consultam com
ele.
Utiliza - se a pinga, como elemento magístico e algumas vezes para
trabalhar o médium em sua incorporação.
Também utiliza ervas, pedras, punhais,
etc como elementos de trabalho.
Não utiliza - se o sacrifício animal dentro da Umbanda.
Exu não é essa manifestação ridícula que muitas vezes vemos, de um espírito que
baba, rosna pega galinha pela boca, toma sangue e apenas sabe falar palavrão.
Não mesmo!
E isso nada tem a ver com kardecismo, mas sim com fundamento de
Umbanda.
Isso não é Umbanda!
Exu na Umbanda é uma entidade como todas as outras.
Exu Guardião não é demônio e de modo algum um espírito atrasado que não sabe o que faz ou não distingue entre o bem e o mal.
São pelo contrário espíritos muito honrados que trabalham
diretamente nos planos extrafísicos mais densos da criação.
Apenas na Umbanda seu símbolo é o tridente.
E isso nada tem a ver com o demônio.
O tridente é um símbolo sagrado em todas as culturas religiosas do passado (veja
o Shiva dos hindus, ou Poseidon dos Gregos).
Por isso a Igreja Católica o
colocou como símbolo do demônio.
Não tem nada a ver.
Tridente representa a força
guardiã de Exu, e demonstra a força tripolar de Exu, vitalizadora,
desvitalizadora e neutralizadora.
O tridente é um símbolo poderosíssimo dentro
da magia de Umbanda. 
Também é uma arma astral que muitos Exus portam.
Adaptação de  trechos de Fernando Sepe
http://iara-carla.blogspot.com/2011/03/comentarios-sobre-exu.html

Orixá Oxumarê

Orixá Oxumarê
DIA: Terça-feira
CORES: Amarelo e verde (ou preto) e todas as cores do arco-íris
SÍMBOLOS: Ebiri, serpente, círculo, bradjá.
ELEMENTOS: Céu e terra
DOMÍNIOS: Riqueza, vida longa, ciclos, movimentos constantes.
SAUDAÇÃO: A Run Boboi!!!
OXUMARÉ (Òsùmàrè) é o orixá de todos os movimentos, de todos os ciclos. Se um dia OXUMARÉ perder suas forças o mundo acabará, porque o universo é dinâmico e a Terra também se encontra em constante movimento. Imaginem só o planeta Terra sem os movimentos de translação e rotação; imaginem uma estação do ano permanente, uma noite permanente, um dia permanente. É preciso que a Terra não deixe de se movimentar, que após o dia venha a noite, que as estações do não se alterem, que o vapor das águas suba aos céus e caia novamente sobre a Terra em forma de chuva. OXUMARÉ não pode ser esquecido, pois o fim dos ciclos é o fim do mundo.
OXUMARÉ mora no céu e vem à Terra visitar-nos através do arco-íris. Ele é uma grande cobra que envolve a Terra e o céu e assegura a unidade e a renovação do universo.
Filho de NANÃ BURUKU, OXUMARÉ é originário de Mahi, no antigo Daomé, onde é conhecido como Dan. Na região de Ifé é chamado de Ajé Sàlugá, aquele que proporciona a riqueza aos homens. Teria sido um dos companheiros de Odudua por ocasião de sua chegada a Ifé.
Dizem que OXUMARÉ seria homem e mulher, mas, na verdade, este é mais um ciclo que ele representa: o ciclo da vida, pois da junção entre masculino e feminino é que a vida se perpetua.OXUMARÉ é um Orixá masculino.
OXUMARÉ é um deus ambíguo, duplo, que pertence à água e à terra, que é macho e fêmea. Ele exprime a união de opostos, que se atraem e proporcionam a manutenção do universo e da vida. Sintetiza a duplicidade de todo o ser: mortal (no corpo) e imortal (no espírito). OXUMARÉ mostra a necessidade do movimento da transformação.
OMULÚ é o irmão mais velho de OXUMARÉ, mas foi abandonado por sua mãe por ter nascido com o corpo coberto de chagas. Em tempo, não se pode condenar NANÃ por esse ato, já que era um costume, quase uma obrigação ritual da época, que se abandonassem as crianças nascidas com alguma deformidade. O deus do destino disse a Nanã que ela teria outro filho, belíssimo, tão bonito quanto o arco-íris, mas que jamais ficaria junto dela. Ele viveria no alto, percorreria o mundo sem parar. Nasceu OXUMARÉ.
OXUMARÉ que fica no céu.
Controla a chuva que cai sobre a terra.
Chega à floresta e respira como o vento.
Pai venha até nós para que cresçamos e tenhamos longa vida. 

Os filhos de Oxumare

Os filhos de Oxumarê são pessoas graciosas de fala macia, consideradas ambiciosas, que fazem o possível para vencerem na vida. Possuem o dom da paciência e da perseverança. Não se deixam abater pelas contrariedades que a vida lhe traz, revertendo sempre a situação a seu favor. Suportam com altivez qualquer rejeição que venham a sofrer. São prudentes e astutos nos negócios, gostam de luxo e da companhia de pessoas influentes. Confiam mais nas suas vibrações que nos conselhos dos outros. 


Quando conseguem uma certa projeção social, podem se tornar orgulhosos e, às vezes, arrogantes, ao tentarem diminuir as pessoas que o cercam. Eles sempre se destacam em qualquer ambiente, exibindo toda a sua soberania, cientes do seu caráter altivo e guerreiro. Apesar disso os filhos de Oxumarê são muito bons de coração, apiedando-se do sofrimento alheio e não se negando a ajuda-los. Não suportam ser colocados de lado ou serem traídos de alguma forma. Nessas situações, reagem usando alguns subterfúgios, para que esses inimigos sintam sua presença forte e ameaçadora, o que geralmente conseguem. Num confronto pessoal, agem com muita calma e coragem, falando tudo o que tem vontade, deixando a pessoa sem reação. Não se deve, portanto provocar uma pessoa que seja deste Orixá, sem estar preparado para uma reação brusca e agressiva como o bote de uma serpente. 


As pessoas deste Orixá são muito comunicativas e extrovertidas, provocando inveja em muitas pessoas. Mesmo que estejam passando por momentos difíceis, estão sempre dispostos a enfrentar os problemas, ao invés de fugir deles. São muito dinâmicos, indo atrás de novidades em todos os sentidos. Desempenham muito bem tudo o que se propõem a fazer, demonstrando extrema segurança em suas ações. Emocionalmente, são instáveis e com tendência a solidão, mesmo que acompanhados, provocando nas pessoas todo tipo de sentimento, como amor, ódio, alegria, compaixão, admiração, etc. Suas características se aninham em seus filhos, como a clarividência (poder de ver coisas que não são visíveis a olho nu). 


Os filhos de Oxumarê têm a capacidade de renovação e mudança constante, tanto que são tidos como pessoas que podem romper com seu estilo de vida e ser capazes de abandonar tudo (emprego e amizades) para começar uma nova etapa da vida. Tem tendência também à bissexualidade, mas nem todos os filhos de Oxumarê aceitam isso com tranqüilidade. Outras qualidades são a inteligência, a curiosidade e a ironia. São muito agitados e precisam de movimentação. São pacientes e determinados, vão até o fim em tudo o que fazem.


Os filhos de Oxumarê, divididos, entre as famílias da Dan, Bessem e Angorô são dotados de incrível capacidade de adaptação a qualquer tipo de situação. São pessoas despachadas, astutas, inteligentes e bastante observadoras; estão em constante movimento e não se deixam prender por nada, a não ser aquilo que realmente os interessa. São pessoas estudiosas e difíceis de se entender, o seu círculo de amizades aparentemente é grande, no íntimo é bem pequeno e seleto. Eles escolhem bem. São pessoas dadas às pesquisas, aos estudos. São aqueles que aprendem mais depressa, face ao seu poder de entendimento das coisas; são atenciosos e sensatos. 


Conseguem com incrível facilidade desenvolver qualquer tipo de trabalho, principalmente aqueles voltados às pesquisas.  São realistas, são pessoas bem realistas e rápidas no seu raciocínio e são mais apaixonadas pelo seu próprio trabalho que quaisquer outras coisas, amantes esporádicos, pois aparentemente conseguem viver um longo tempo sem sexo, mas quando estão dispostos levam a sério.


Os lados positivos dos filhos de Dan simbolizados numa cobra, assim são também aqueles regidos por ele. O lado negativo dessas pessoas é o fato de quererem impor suas idéias e personalidade o que acaba provocando muitos atritos em família. São perigosos, traiçoeiros e altamente rancorosos, normalmente são bastante ciumentos e egoístas, e exigem muito dos outros. Se estiverem de bem com alguém, são amigos, mas se de alguma forma são contrariados tornam-se amargos e antipáticos, chegam mesmo a ser ríspidos e desagradáveis. Tem tendências suicidas. 


Apreciam e conhecem jóias, bons tecidos, automóveis, bebidas caras, bons restaurantes. Podem ser ótimos sacerdotes de qualquer religião, pois conseguem captar facilmente os sentimentos das pessoas.
Os que recebem a influência de Oxumarê são pessoas geniosas, de personalidade difícil de agradar. Não gostam muito de se mostrar, são cheios de mistérios em relação a sua vida particular. Mas fazem questão de demonstrar ao mundo o seu melhor, afinal, são ambiciosos e sabem onde desejam chegar. São prudentes em relação às pessoas e buscam ajudar o quanto podem, mas se sentirem que há falsidade no que lhe contam, caem fora sem dar maiores explicações. 



Costumam ser vítimas de intrigas, mas de uma maneira geral, sabem como lidar com isso. Sua vida amorosa é marcada por um grande mistério sempre. Algumas vezes parecem extremamente apaixonados por alguém, mas ao mesmo tempo, parece que essa pessoa é apenas uma amiga. Demora a revelar seus romances porque acredita que inveja e mau olhado são os grandes vilões que acabam com sua relação. Sabe como conquistar alguém, mas só se aproxima de pessoas interessantes e com condições financeiras boas. Não tem vergonha disso, pois acredita que só pode melhorar e crescer na vida com alguém maior que você. Até suas relações amorosas busca garantir o sucesso profissional. Namorar um regido de Oxumarê não é fácil, pois sua tendência para a infidelidade é grande. Todas às vezes que bate a insegurança ou o ciúme, acredita que não é amada (o) como deveria e acaba nos braços de outras pessoas sem arrependimentos.



No emprego, se destaca como poucos pelo seu dinamismo e sua grande inteligência. Também tem o dom de resolver problemas rápidos e de maneira simples. Dificilmente erra em suas análises, e quando erra, nunca é por inteiro. Tem muito talento para artes e pode se destacar ainda mais em profissões ligadas a artes, decoração, arquitetura e paisagismo. Trabalhar com o comércio também é sua área, mas precisa ser dona (o) do seu próprio negócio, pois possui talento para saber como tudo precisa ser arrumado e dirigido.



Na saúde, estão sempre tão ligados aos seus assuntos profissionais que se esquecem de cuidar da alimentação, o que geralmente faz com que sofram com anemias e doenças que aparecem devido a ela. Devem se alimentar de maneira mais disciplinada e com maior qualidade. Muito cuidado também com o estresse, pois ele costuma atacar seus órgãos reprodutores, trazendo problemas graves de infertilidade. Sair um pouco de casa sem desconfiar tanto das intenções das pessoas, com certeza fará muito bem para os filhos de Oxumarê.


Oxumarê tem seus filhos caracteristicamente que tende a renovação e a mudança. Periodicamente mudam tudo em sua vida de maneira radical. Mudam de casa, de amigos, de religião, de emprego, vivem rompendo com o passado, buscando novas alternativas para o futuro para cumprir o seu ciclo de vida mutável, incerto de substituição, inconstante. Normalmente são magros como as cobras, possuem olhos atentos, salientes, difíceis de encarar, mas não enxergam muito bem. São pessoas que se prendem a valores materiais e adoram ostentar suas riquezas. 



São orgulhosos e exibicionistas, mas também generosas e desprendidas. Quando se trata de ajudar alguém são os primeiros a chegar, extremamente ativas e ágeis estão sempre em movimento, estão sempre em ação, não podem parar. 
São pessoas pacientes, obstinadas na luta por seus objetivos e não medem sacrifício para alcançá-los.
A dualidade do Orixá também se manifesta em seus filhos, principalmente no que se refere às guinadas que dão em suas vidas, que chegam a ser de l80º, indo de um extremo a outro sem a menor dificuldade, mudam de repente da água para o vinho.

sábado, 1 de agosto de 2015

Sobre o Orixá Obaluaê e as pipocas

A pipoca de Obaluaê
O mês de agosto na Umbanda é dedicado a Obaluaê, os terreiros enchem de pipoca e saudão este grande Orixá da Cura, saiba um pouco sobre esta divindade: 
Obaluaê é uma flexão dos termos: Oba (rei) – Oluwô (senhor) – Ayiê (terra), ou seja, “Rei, senhor da Terra”. Omulu também é uma flexão dos termos: Omo (filho) – Oluwô (senhor), que quer dizer “ Filho e Senhor”. Obaluaê, o mais moço, é o guerreiro, caçador, lutador. Omulu o mais velho, é o sábio, o feiticeiro, guardião. Porém, ambos têm a mesma regência  e influência. No cotidiano significam a mesma coisa, têm a mesma ligação e são considerados  a mesa força da natureza.
Obaluaê (ou Omulu) é o Sol, a quentura e o calor do astro rei. É o Senhor das pestes, das moléstias contagiosas, ou não. É o rei da Terra, do interior da Terra, e é o Orixá que cobre o rosto com o Filá (de palha – da - Costa), porque para os humanos é proibido ver seu rosto, pela deformação feita pela doença, e pelo respeito que devemos a este poderosíssimo Orixá.
Obaluaê está no organismo, no funcionamento do organismo. Na dor que sentimos pelo mal funcionamento dos órgãos, ou por uma queda, corte ou queimadura.
Obaluaê rege a saúde, os órgãos e o funcionamento destes. A ele devemos nossa saúde e é comum, nas Casas de Santos, se realizar os Eboris de Saúde, que fazem pra trazer saúde para o corpo doente.
O órgão central da regência de Obaluaê é a bexiga, mas está ligado a todos os outros. Ele trata do interior, fundamentalmente, mas cuida também da pele e de suas moléstias.
Divide com Iansã a regência dos cemitérios, pois ele é o Orixá que vem como emissário de Oxalá (princípio ativo da morte), para buscar o espírito desencarnado. É Obaluaê (ou Omulu) que vai mostrar o caminho, servir de guia para aquela alma.
Obaluaê também é o Senhor da Terra e das camadas de seu interior, para onde vamos todos nós. Daí a ligação que tem com os mortos, pois ele é quem vai cuidar do corpo sem vida, e guiar o espírito que deixou aquele corpo. É por isso que Obaluaê e Omulu gostam de coisas passadas, apodrecidas.
O sol também tem a sua regência. Ele também é o Calor provocado pelo sol quente. Há quem diga que não se deve sair à rua quando o Sol está quente sem a proteção de um patuá, a fim de não correr o riscos e não sofrer a ira de Obaluaê, geralmente fatal.
Obaluaê está presente em nosso dia-a-dia, quando sentimos dores, agonia, aflição, ansiedade. Está presente quando sentimos coceira e comichões na pele.Rege também o suor, a transpiração e seus efeitos. Rege aqueles que tem problemas mentais, perturbações nervosas e todos os doentes.
Está presente nos hospitais, casa de saúde, ambulatórios, postos de saúde, clínicas, sempre próximo aos leitos. Rege os mutilados, aleijados, enfermos. Ele proporciona a doença mas, principalmente, a cura, a saúde. É o Orixá da misericórdia.
Obaluaê é à força da Natureza que rege o incômodo de um modo geral. Rege o mal estar, o enjôo, o mal humor, a intranqüilidade. É o Orixá do abafamento e está presente nele, bem como na má digestão e na congestão estomacal. Gera o ácido úrico e seus efeitos.
Obaluaê está presente em todas as enfermidades e sua invocação, nessas horas, pode significar a cura, a recuperação da saúde.
Dia: segunda feira
Data: 13 ou 16 de agosto;
Metal: chumbo;
Cor: preto e branco  e ou preto, branco e vermelho;
Partes do corpo: a pele e os pulmões;
Arquétipo: sóbrios, reservados, generosidade destacada,  geniosos, independentes, teimosos, tendência ao masoquismo.
Símbolos: xaxará ou íleo (com que limpa as doenças e os males espirituais)

A Lenda de Obaluaiê

LENDA DE OBALUAIÊ

Iansã era uma mulher muito curiosa, de todos queria noticias e tudo queria saber. Apenas um segredo havia que ela já fizera de tudo para descobrir e não conseguira. Era o fato de Obaluaiê andar coberto de palha, apenas se viam seus braços e pernas e nunca ninguém vira seu rosto. Iansã perguntava a todos o porquê disso e sempre lhe diziam que como tinha o corpo e o rosto coberto de chagas, ele não gostaria de mostrar ao mundo a sina que o acompanhava. Essas explicações vindas de todos os lados a deixavam mais curiosa ainda. Passou a perseguir Obaluaiê obsessivamente, aonde ele ia, disfarçadamente ia atrás. Um dia quando estava quase desistindo, sentia-se cansada o rapaz andava muito, sentou-se aos pés de uma grande árvore e adormeceu. Acordou com o ruído do farfalhar de palhas que sempre acompanhava seu perseguido que estava molhando os pés num pequeno riacho muito perto dela e não a tinha percebido. Era a hora! Finalmente descobriria o que há meses a torturava. Ergueu as mãos para o céu e chamou pelos ventos que sempre a auxiliavam. Eles vieram e numa lufada forte envolveram Obaluaiê, que despreparado, não pode impedir que a palha se levantasse deixando seu corpo exposto. Qual a surpresa de Iansã ao ver que debaixo da vestimenta não havia uma só chaga, mas sim uma beleza radiosa, todo o corpo do rapaz brilhava numa cor de cobre que o sol acentuava. O que ele escondia não era a vergonha de um corpo disforme e sim a beleza infinda que a todos faria inveja. Desse dia em diante Iansã não mais perseguiu Obaluaiê, mas sempre que o encontrava suspirava pela beleza que nunca mais esqueceu.

Sobre os Orixás Omulu e Obaluaê - História

OMULU CURA TODOS DA PESTE E É CHAMADO OBALUAÊ
Quando Omulu era um menino de uns doze anos,
saiu de casa e foi para o mundo fazer a vida.
De cidade em cidade, de vila em vila,
ele ia oferecendo seus serviços,
procurando emprego.
Mas Omulu não conseguia nada.
Ninguém lhe dava o que fazer, ninguém o empregava.
E ele teve que pedir esmola,
mas ao menino ninguém dava nada,
nem do que comer, nem do que beber.
Tinha um cachorro que o acompanhava e só.
Omulu e seu cachorro retiraram-se no mato
e foram viver com as cobras.
Omulu comia o que a mata dava:
frutas, folhas, raízes.
Mas os espinhos da floresta feriam o menino.
As picadas de mosquito cobriam-lhe o corpo.
Omulu ficou coberto de chagas.
Só o cachorro confortava Omulu,
lambendo-lhe as feridas.
Um dia, quando dormia, Omulu escutou uma voz:
"Estás pronto. Levanta e vai cuidar do povo".
Omulu viu que todas as feridas estavam cicatrizadas.
Não tinha dores nem febre.
Obaluaê juntou as cabacinhas, os atós(*),
onde guardava água e remédios
que aprendera a usar com a floresta,
agradeceu a Olorum e partiu.
Naquele tempo uma peste infestava a Terra.
Por todo lado estava morrendo gente.
Todas as aldeias enterravam os seus mortos.
Os pais de Omulu foram ao babalaô
e ele disse que Omulu estava vivo
e que ele traria a cura para a peste.
Todo lugar aonde chegava, a fama precedia Omulu.
Todos esperavam-no com festa, pois ele curava.
Os que antes lhe negaram até mesmo água de beber
agora imploravam por sua cura.
Ele curava todos, afastava a peste.
Então dizia que se protegessem,
levando na mão uma folha de dracena, operegum,
e pintando a cabeça com efum, ossum e uági(**),
os pós branco, vermelho e azul usados nos rituais e encantamentos.
Curava os doentes e com o xaxará varria a peste para fora da casa,
para que a praga não pegasse outras pessoas da família.
Limpava casas e aldeias com a mágica vassoura de fibras de coqueiro,
seu instrumento de cura, seu símbolo, seu cetro, o xaxará.
Quando chegou em casa, Omulu curou os pais
e todos estavam felizes.
Todos cantavam e louvavam o curandeiro
e todos o chamaram de Obaluaê,
todos davam vivas ao Senhor da Terra, Obaluaê.
(*) ató= pequena cabaça usada para guardar remédios, símbolo de Ossaim e Omulu, orixás ligados à cura.
(**)ossum e uági = pó vermelho e azul respectivamente
Fonte: Mitologia dos Oixás - Reginaldo Prandi - Cia. das Letras

Os Filhos de Obaluaiê

OS FILHOS DE OBALUAIÊ

Os protegidos de Obaluaiê são pessoas perfeccionistas que buscam dar o melhor de si em tudo o que fazem. Quando apostam suas fichas num projeto não desistem de vê-lo realizado, leve o tempo que for preciso. Aliás, paciência é o que não falta a essas pessoas. Sua aparência de fragilidade e seu olhar triste escondem uma pessoa de grande inteligência e capacidade para alcançar grande sucesso. São muito preocupados com tudo o que acontece no mundo, o que faz com que caiam numa profunda tristeza, sem muitas explicações para os outros.
Ter os amigos ao seu lado é de extrema importância, pois é com eles que consegue se realizar como pessoa produtiva e importante. Introspectivos, pensativos, são seus filhos. Reservados, observadores, pesquisadores, modestos, simples, porém muito misteriosos. 
Normalmente são pessoas que falam pouco e que tem muito poucos amigos, porém amigos sinceros e verdadeiros e amigos para sempre. São lentos, calmos, estudiosos, mas com certeza uma forte parte envolvendo a feitiçaria, a alquimia, são pessoas literalmente eremitas. A solidão para eles é fundamental para o seu crescimento e importante, porque da solidão é que eles tiram a solução para os problemas difíceis daqueles que o cercam. Com certeza, talvez a qualidade mais introvertida deste Orixá é o silêncio.
Seus filhos são alegres e gozadores, brincalhões, amigos sinceros e apesar de inconstantes, são amantes fervorosos e entusiasmados. Muitas vezes são até atirados quando não conseguem agradar, quando não conseguem atingir seus objetivos, porém esse comportamento envolve muito os filhos jovens que são iniciados para esse Orixá deixando o lado sombrio para a vaidade maior, mesmo com o tempo de feitura, mesmo com o tempo de iniciação, eles acabam se ajustando ao próprio comportamento, ao próprio arquétipo desses filhos.
Com certeza não existe ninguém totalmente bom, nem ninguém totalmente mau, porém o lado negativo dos filhos de Obaluaiê é que são pessoas medrosas, inseguras, indecisas, nervosas e agressivas. Os filhos de Obaluaiê têm fortes tendências ao suicídio, devido acreditarem que a vida é sempre contra eles. São fatalistas, dramáticos, exagerados nos dramas. Secam as pessoas somente com o olhar. Com certeza são pessoas com defeitos que se destacam, mas são irresponsáveis, aparentam desleixo, esquecimento, mas são, com certeza atentos e sempre prontos para cumprir suas promessas.
São pessoas que abrem mão da sua própria vida em prol dos outros. São pessoas capazes de muitas vezes provocar verdadeiras guerras envolvendo várias e várias pessoas para defender muitas vezes somente uma e o negativo dos filhos deste Orixá é cair na antipatia das pessoas, pois não medem sacrifícios, não medem esforços, não medem recursos para atingir seu objetivo de vingança, mas na síntese são pessoas boas e seu elemento básico é a proteção, é a saúde.
Os filhos de Obaluaiê são pessoas que não se sentem satisfeitas se a vida corre tranqüila. Podem atingir situação financeira boa e um belo dia joga tudo para o alto, por conta de sua mania de perseguição. Em certos casos, são capazes de proporcionar o bem estar dos outros, esquecendo os seus próprios interesses e necessidades. São pessoas masoquistas, pessimistas, com tendências a autodestruição e solitárias. Costumam se manter à parte do seu círculo de amizades. Isso quer dizer que são pessoas que vêem em si mesmas uma série de defeitos e sofrimentos – que normalmente são exagerados – e mostram esses defeitos e sofrimentos em suas atitudes.
Apesar de serem pessoas doces e sinceras, quando estão amando, não costumam demonstrar seus sentimentos, tem grandes dificuldades em se entregarem. Parecem manter sempre um pé atrás com a pessoa amada, como se ela pudesse lhe trair a qualquer momento. Procuram dar provas de sua dedicação e fidelidade no dia a dia, com coisas práticas. Não são chegados a datas românticas, nem a declarações de amor, não que sejam frios, mas preservam seus momentos íntimos e só se entregam quando suas intuições lhe dão a certeza de que encontrou uma pessoa que lhe ama de verdade.
Como sempre dá provas de fidelidade e confiança, não gostam de ter de cobrar a pessoa amada. Caso essa venha lhe trair a confiança, não tomam nenhuma atitude precipitada. Primeiro esperam que ela venha lhe contar e só depois pensam em perdoar, caso contrário, terminam tudo e guardam grande ressentimento, que pode demorar a ir embora. Sofrer por um grande amor pode fazer com que isolem seu coração de um novo relacionamento por anos, o que é péssimo.
No setor trabalho, os filhos de Obaluaiê não são apenas pessoas de inteligência privilegiada como também são muito ambiciosas. Mas não se dão bem em profissões que busque apenas ganhar dinheiro. Realizam-se quando
podem ajudar os outros como médico dentista ou veterinário, por exemplo. Profissões que exijam concentração, análise como pesquisas cientificas ou ligadas a terapias naturais fazem com que alcancem o sucesso. São sempre muito preocupados com o dia de amanhã, procuram economizar quase tudo o que ganham. Apesar de fazerem questão de viver com conforto, não abrem mão de garantir uma poupança para um socorro imediato.
Os filhos de Obaluaiê costumam ter a saúde prejudicada por doenças psicossomáticas, ou seja, de fundo emocional. Quanto mais sofre pelos outros mais se entristecem com o mundo, mais criam doenças para si mesmos. Precisam lutar também para não caírem em depressão. Devem buscar fazer meditação, aumentar a fé, estar ao lado de crianças e pessoas alegres. Se estiverem com o espírito fortalecido, dificilmente cairão doentes.
Os filhos de Obaluaiê guardam um forte mistério no coração, como se pudesse prever o que vai acontecer às pessoas. Procuram então ajudá-las o máximo possível, mas lembrando-se de que as pessoas só passam por aquilo que lhes é necessário para crescer.
Os filhos de Obaluaiê são pessoas extremamente pessimistas e teimosas e adoram exibir seus sofrimentos. São deprimidos e depressivos, são capazes de desanimar o mais otimista dos seres; acham que nada pode dar certo, que nada está bom. Às vezes são doces, mas geralmente possuem manias de velho, são rabugentos, gostam de dar ordem e são do tipo que não levam desaforo para casa e se sentirem ofendidos respondem no mesmo ato. Não importa a quem pense que só eles sofrem, mas ninguém os compreende, são perversos e adoram irritar as outras pessoas.
São lentos, exigentes, reclamões, reclamam muito, são deprimidos, amargos e vingativos, é difícil relacionar-se com eles. Parece que eles são pessoas que possuem muitos defeitos e poucas qualidades, mas eles têm várias qualidades que podem compensar qualquer defeito, pois são extremamente prestativos e trabalhadores.
A pedra ideal para andar sempre junto é a turmalina negra.

Sobre os Orixás Obaluaê e Omulu - qualidades

QUALIDADES DE OBALUAÊ/ OMULU
Olá irmãos
 Que a paz de Oxalá esteja com todos
Em algumas casa são dois orixás distintos, Omulu o Velho e Obaluâe o Novo, porém em todas as casas mesmos essas os dois Orixás são saudados juntos no Olubajé.
Omolu / Obaluaiyé é o rei da terra. A sua vestimenta é feita de ìko; uma fibra de ráfia extraída do Igí-Ògòrò, a “palha da costa”, elemento de grande significado ritualístico, principalmente em ritos ligados à morte e o sobrenatural, sua presença indica que algo deve ficar oculto. Compostos de duas partes o “Filá” e o “Azé”, a primeira parte, a de cima que cobre a cabeça é uma espécie de capuz trançado de palha da costa, acrescido de palhas em toda sua volta, que passam da cintura, o Azé, seu asó-ìko (roupa de palha) é uma saia de palha da costa que vai até os pés em alguns casos, em outros, acima dos joelhos, por baixo desta saia vai um Xokotô, espécie de calça, também chamado “cauçulú”, em que oculta o mistério da morte e do renascimento. Nesta vestimenta acompanha algumas cabaças penduradas, onde supostamente carrega seus remédios. Ao vestir-se com ìko e cauris, revela sua importância e ligação com a morte.
Sua festa anual é o Olubajé. Tido como filho de Nanã no Brasil, a sua origem, forma, nome e culto em África é bastante variado, de acordo com a região, essa variação de nomes é em conformidade com a região, Obaluaiyé ou Xapanã em Tapá (Nupê) chegando ao território Mahi ao norte do Daomé; Sapata é a sua versão Fon, trazida pelos Nagôs.
QUALIDADES
Akavan: Tem ligação com Oyá, veste estampado.
Azonsu / Ajunsu: Tem fundamentos com Oxumaré, Oxun e Oxalá. Carrega lança e veste branco.
Azoani: É jovem, veste vermelho, palha vermelha Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Iemanjá e Oyá.
Arawe /: Tem fundamento com Oyá e Oxalá.
Ajoji /: Tem fundamentos com Ogun e Oxagian.
Avimaje: Tem fundamento com Nana e Ossain e Odé.
Ajoji / Segí/: Tem ligação com Yemanjá e Oxumare / Nanã.
Afomam: Veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Veste de amarelo e preto. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Oxumaré, Ogun de quem é companheiro, dança cavando a terra com Intoto para depositar os corpos que lhe pertencem.
Agbagba Jagun: tem fundamento com Oyá.
Itubé Jagun: É jovem e guerreiro; leva na mão uma lança chamada okó; Tem caminhos com Ogunjá, Oxaguian, Ayrá, Exu e Oxalufan. Não come feijão preto e é o único que come Igbin (Caracol).
Ìpòpò: Tem forte fundamento com Nanã, usa biokô.
Tetu / Etetu Jagun: É jovem e guerreiro. Come com Ogum e Oyá. Veste de branco, usa biokô:
Agòrò: veste branco, usa biokô com franjas de palha
Itetù Jagun: ligado a Yemnjá e Oxalá
Sapatá: Ligado a Oxalufã e todos od Orixás Brancos
Xapanã: Ligado e companheiro de Exu usa preto e vermelho.
Jeholu: Nome sagrado, Senhor das pérolas usa bege.
Iluinã: Chão Quente, único fundamento com Xangô.
Dizem que são 14 qualidades ou caminhos de Obaluaiye/Omolú/Jagun/Sakpata. Teremos ainda vários nomes, títulos e qualidades parecidas: Ajágùsí, Topodún, Janbèlé, Parú, Polibojí, Akarejebé, Aruajé, Ahoye, Olutapá, Sapatá Ainon, WariWarún, etc. 

domingo, 26 de julho de 2015

As qualidades de Nanã e características de seus filhos

As qualidades de Nanã e características de seus filhos
IYÁBAHIN – é uma das qualidades mais temidas (o Orixá da varíola), que veio do Daomé, uma qualidade que usa o vermelho. Iyábahin representa um tipo de mulher sem beleza e sem graça, pesada, desajeitada e que aparenta mais a sua idade. Ligada à terra ela apresenta traço comum, com Oduduwá, é rabugenta, vingativa e implacável em rigorosos princípios morais, guardiã severa dos bons costumes, zela em partcular pela honestidade e o respeito pela palavra dada.
Extraordinariamente trabalhadora e eficiente, mas é intolerante e invejosa. A prosperidade alheia é para ela é uma provocação. Não suporta o luxo, o ócio, a vaidade. Seus hábitos são austeros, despojados, e ela não admite brincadeiras. Geralmente não gosta de homens, representa o tipo da viúva ou desquitada, que trabalhou a vida inteira para educar os filhos. É um tipo autoritário, agressivo e dominador.
OPARÁ - veio do Ketu. É a mãe de Omulu, ligada à terra, temida, agressiva. Constitui um tipo bastante parecido com Iyabahin.
OBAYÁ –é um Orixá ligado à água, à lama, aos pântanos, é a qualidade de Nanã que usa contas de cristal e veio do País Bariba. Obayá constitui, como a precedente, um tipo de mulher desprovido de encantos, austera, velha por temperamento independentemente de sua idade cronológica. É fechada, introvertida e calma. Lenta para irritar-se, e mais lenta ainda para perdoar e esquecer. Leal e honesta, não tolera imoralidade, mentira nem traição. Sabe guardar segredos e odeia indiscrição. Não tem vida sexual ou amorosa. Mas é um tipo simpático e mais meigo que Iyábahin, é maternal, carinhosa, sábia, mãe e avó generosa e devotada. Ama profundamente as crianças e é boa educadora.
AJAOSI – (guardiã da esquerda) é uma Nanã guerreira e agressiva que veio de Ifé, e confunde-se com Obá. É uma divindade das águas doces e que se veste de azul. Também representa um tipo de mulher sem beleza e sem juventude, trabalhadora e combativa séria, perseverante, sem vaidade, boa cozinheira, boa educadora, uma tia ou avó eficiente e prestativa, mas severa. Situa-se a meio caminho entre a rigidez de Iyábahin e a meiguice de Obayá.
AJAPÁ – (guardiã da mata) é um Orixá bastante temido, ligado à lama e à morte, que veio de Savé. Veste-se de azul e branco, usa uma coroa de búzios. Ajapá é associada às profundezas da terra, aos mistérios da morte e do renascimento. Destaca-se como enfermeira, cuida dos velhos e dos doentes, toma conta de moribundos. Nela predominam a razão, a providência, a economia, a tendencia a adquirir e acumular bens.
BURUKU – também é chamada OLUWAIYE (senhora da terra), ou OLOWÒ (senhora do dinheiro), ou ainda OLUSEGBE. Este orixá veio de Alomey, ligada a água doce dos pântanos, usa um ibirí azul. É uma das qualidades mais conhecidas de Nanã, bastante semelhante a Ajaosi, o tipo que ela representa é de uma mulher boa, simples, discreta, sem vaidade, maternal e generosa, mas severa e pouco paciente.
CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE NANÃ BURUKU
Não tem senso de humor, o que a faz valorizar demais pequenos incidentes e transformar pequenos problemas em grandes dramas. Ao mesmo tempo, tem uma grande capacidade de compreensão do ser humano, como se fôsse muito mais velha do que sua própria existência. Por causa desse fator, o perdão aos que erram e o consolo para quem está sofrendo é uma habilidade natural.
Nanã, através de seus filhos de santo, vive voltada para a comunidade, sempre tentando realizar as vontades e necessidades dos outros. Às vezes, porém , exige atenção e respeito que julga devido mas não obtidos dos que a cercam. Não consegue entender como as pessoas cometem certos enganos triviais, como optam por certas saídas que para um filho de Nanã são evidentemente inadequadas. È o tipo de pessoa que não consegue compreender direito as opiniões alheias nem aceitar que nem todos pensem da mesma forma que ela.
Pierre Verger costumava destacar o lado doce de Nanã: é o arquétipo das pessoas que agem com calma e benevolência, dignidade e gentileza. Das pessoas lentas nos cumprimentos de seus trabalhos e que julgam ter a eternidade pela frente, para acabar com seus afazeres. Elas gostam de crianças e educam-nas talvez com excesso de doçura emansidão, pois possuem tendências a se comportar com a indulgênciadas avós. Agem com segurança e majestade. Suas reações bem equilibradas e a pertinência das decisões mantêm-nas sempre no caminho da sabedoria e da justiça.

Orixá Nanã - Qualidades

Salve Nanã
Nanã é um Orixá feminino e segundo a tradição, seria mãe de Omulu. É também um Orixá ligado à terra e mais especificamente ao barro, à lama, ou seja , a mistura da terra à água.
Daí já se pode entrever seu significado. Segundo a tradição Yoruba, o barro é o material original do qual o ser humano foi modelado e que no final da vida do ser humano deve novamente ser devolvido à terra.
Ela é mãe e morte ao mesmo tempo, em um ciclo no qual a vida é possibilitada e renovada pela morte. Ao ser lama, ela é mãe da mãe. Por ser Orixá da lama, Nanã também é relacionada com a fertilidade, com a agricultura e com as colheitas. A terra é invocada, na tradição Yoruba, sempre como testemunha de juramentos feitos ou de alianças secretras. Vemos em sua dança representar o gesto de pilar o grão ou de amassar o inhame. Propicia a abundância e a prosperidade.
Ainda como divindade da criação, Nanã está associada igualmente à idéia de maternidade e dança, embalando em seus braços uma criança, representada pelo ibirí que ela segura na mão direita. O ibiri é um tipo de cetro, constituído de ramos de palha da costa, isto é de nervuras de palmeira ou de atóri reunidos por uma tira de pano azul claro onde estão costurados búzios, e cuja ponta é recurvada.
Nanã não se irrita facilmente, porém quando ofendida, é implacável e incapaz de recuar. Dizem que ela é rabugenta, como certas pessoas idosas. Sem vaidade, pouco feminina, é uma mulher sem atrativos, de idade indefinida, velha antes do tempo. Falta-lhe fantasia e é incapaz de amar com paixão, mas pode ser carinhosa. Por medo de amar, de ser abandonada e de sofrer ela dedica sua vida ao trabalho, à vocação, à ambição social. Pode deixar-se dominar pelo egoísmo, o espírito de ganância, o interesse, avareza. Para outros ela é boa e sábia, maternal com a avó, indulgente e tolerante. Ela serve de mediadora entre os homens e seu terrível (para alguns) filho Omulu ao qual transmite os pedidos dos fiéis. É extremamente trabalhadora, gosta de ordem, de limpeza, exigindo de todos, boas maneiras.
Naná é um Orixá muito discreto, e que gosta de se esconder, por esta razão suas filhas podem ter um caráter completamente diferente do dela. Ninguem desconfiaria que são filhas de Nanã, algumas delas vaidosas e dengosas, mais parecem filhas de Oxum.

Lendas de Nanã

LENDAS DE NANÃ
                            
1ª Lenda
A mais significativa, sem dúvida, é a que fala de Oxalá se disfarçando para retirar dela o poder sobre os eguns e consequentemente o poder de deusa suprema de uma localidade que explicamuito bem a dominação da nação (matriarcal) do Daomé (criadora de Nanã) pela cultura patriarcal dos iorubas, dos quais Oxalá é o principal representante.
2ª lenda
Esta cita Nanã como uma mãe terrível que abandonou os filhos de Oxumaré, por nascer com forma de cobra, e Omulú por ser defeituoso. Esta narrativa transfere para Yemanjá a função de cuidar de Omulu: a mãe do panteão iorubá foi quem recolheu um dos filhos da cultura daomeana, mostrando que os dominadores aceitavam os mitos dos dominados, ao mesmo tempo em que destronavam a figura que os ameaçava, a mãe e pai de todos. Nanã mostrada a partir de então como uma megera sem poderes.
3ª lenda
Nanã era rainha de um povo e tinha poder sobre os mortos. Para roubar esse poder, Oxalá casou com ela, mas não ligava para a mulher. Então Nanã fez um feitiço para ter um filho. Tudo aconteceu como ela queria mas, por causa do feitiço, o filho Omulu nasceu todo deformado. Horrorizada, Nanã jogou-o no mar para que morresse. Como castigo pela crueldade, quando Nanã engravidou de novo, Orunmilá disse que o filho seria lindo mas se afastaria dela para correr mundo. E nasceu Oxumaré, que durante seis meses vive no céu como o arco-íris, e nos outros seis é uma cobra que se arrasta no chão.
4ª lenda
Na aldeia chefiada por Nanã, quando alguem cometia um crime, era amarrado a uma árvore e então Nanã chamava os Eguns para assustá-lo.
Ambicionando esse poder, Oxalá foi visitar Nanã e deu-lhe uma poção que fêz com que ela se apaixonasse por ele. Nanã dividia o reino com ele, mas proibiu sua entrada no Jardim dos Eguns. Mas Oxalá espionou-a e aprendeu o ritual de invocação dos mortos. Depois, disfarçando-se de mulher com as roupas de Nanã, foi ao jardim e ordenou aos Eguns que obedecesse, “ ao homem que vivia com ela” (ele mesmo). Quando Nanã descobriu o golpe quis reagir, mas como estava apaixonada, acabou aceitando o poder com o marido. Hoje no Culto aos Egungun só os homens são iniciados para chamar os eguns.
5ª lenda
Certa vez, os Orixás se reuniram e começaram a discutir qual deles seria o mais importante. A maioria apontava Ogun, considerando que ele é o Orixá do ferro, que deu à humanidade o conhecimento sobre o preparo e uso das armas de guerra, dos instrumentos para agricultura, caça e pesca, e das facas para uso doméstico e ritual. Somente Nanã discordou e, para provar que Ogum não é tão importante assim, torceu com as próprias mãos os animais destinados ao sacrifício em seu ritual. É por isso que os sacrifícios para Nanã não podem ser feitos com instrumentos de metal.

MITOLOGIA DOS ORIXÁS - Nanã, Oxalufã

MITOLOGIA DOS ORIXÁS
1) Nanã formece a lama para a modelagem do homem
Dizem que quando Olorum encarregou Oxalá de fazer o mundo e modelar o ser humano, o Orixá tentou vários caminhos. Tentou fazer o homem de ar, como ele. Não deu certo, pois o homem logo se desvaneceu.
Tentou fazer de pau, mas a criatura ficou dura. Depedra, a tentativa ainda foi pior.
Fêz fogo e o homem se consumiu. Tentou o azeite, água e até vinho de palma, e nada.
Foi então que Nanã Buruquê veio em seu socorro.
Apontou para o fundo do lago com seu ibiri, seu cetro e arma, e de lá retirou uma porção de lama.
Nanã deu a porção de lama a Oxalá, o barro do fundo da lagoa onde morava ela, a lama sob as aguas , que é Nanã.
                        
2) Nanã tem um flho com Oxalufã
Nanã era considerada grande justiceira. Qualquer problema que ocorresse, todos a procuravam para ser a juíza das causas. Mas sua imparciabilidade era duvidosa. Os homens temiam a justiça de Nanã, pois se dizia que Nanã só castigava os homens e premiava as mulheres.
Nanã tinha um jardim com um quarto para os eguns que eram comandados por elas. Se alguma mulher reclamava do marido, Nanã mandava prendê-lo.
Batia a parede chamando os eguns. Os eguns assustavam e puiam o marido. Só depois Nanã o libertava.
Ogum foi reclamar a Ifá sobre o que ocorria. Segundo Exu, conhecido como bisbilhoteiro, Nanã queria dizimar os homens.
Os Orixás reunidos resolveram dar um amor para Nanã, para que ela se acalmasse e os deixassem em paz.
O Orixás enviaram Oxalufã nessa missão. Chegando à casa de Nanã, Oxalufã foi servido com ricos alimentos. Mas o velho pediu-lhe que fizesse um suco de igbins, de caracóis. Oxalufã, muito sábio, fez Nanã beber com ele o suco. Nanã bebeu dormiu era, a água que acalma. Assim Nanã foi se acalmando.
Cada dia que passava, Nanã se afeiçoava mais a Oxalufã. Pouco a pouco Nanã foi cedendo aos pedidos de Oxalufã. Mas até então Nanã não havia mostrado a ele o seu jardim.
Um dia, uma mulher queixosa do marido procurou Nanã, e ela, aconsehada por Oxalufã, quis ouvir ambos os cônjuges, não só a mulher, mas também o seu marido.
Nanã tinha se acalmado. Mostrou de vez todo o seu reino à Oxalufã. Mostrou tambem como comandava os eguns. Oxalufã observou tudo.
Um dia, quando Nanã se ausentou de casa, Oxalufã vestiu-se de mulher e foi com os eguns. Com a voz mansa como a da velha, Oxalufã ordenou aos eguns que dali em diante eles atenderiam aos peidos do homem que vivia na casa dela.
E sua volta, Nanã foi surpreendida com a afirmação de Oxalufã, que ele também mandaria nos eguns. Mesmo contrariada, Nanã acatou o dito, pois estava enamorada do velho, queria ter com ele um filho. Mas Oxalufã disse à Nanã que não poderiam ter um filho, pois ambos tinham o mesmo sangue.
Nanã estava inconformada e não aceitou o interdito. Preparou uma comida contendo um pó mágico e fez com que Oxalufã adormecesse. Aproveitando-se do sono de Oxalufã, Nanã deitou-se com ele e engravidou. Quando acordou, Oxalufã ficou muito contrariado. Não podia mais confiar em Nanã, pois ela se aproveitara de seu sono.
E Oxalufã abandonou Nanã, indo viver com Yemanjá.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

As Características Dos Filhos De Ogum


Por Pai Pedro de Ogum

Não é difícil reconhecer um filho de Ogum. Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, aonde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto. São conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar, gostando de temas e assuntos novos, conseqüentemente apaixonados por viagens, mudanças de endereço e de cidade. Um trabalho que exija rotina, tornará um filho de Ogum um desajustado e amargo. São apreciadores das novidades tecnológicas, são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo em pauta; a coragem é muito grande. 

Os filhos de Ogum custam a perdoar as ofensas dos outros. Não são muito exigentes na comida, no vestir, nem tão pouco na moradia, com raras exceções. São amigos camaradas, porém estão sempre envolvidos com demandas. Divertidos, despertam sempre interesse nas mulheres, tem seguidos relacionamentos sexuais, e não se fixam muito a uma só pessoa até realmente encontrarem seu grande amor. 

São pessoas determinadas e com vigor e espírito de competição. Mostram-se líderes natos e com coragem para enfrentar qualquer missão, mas são francos e, às vezes, rudes ao impor sua vontade e idéias. Arrependem-se quando vêem que erraram, assim, tornam-se abertos a novas idéias e opiniões, desde que sejam coerentes e precisas. 

As pessoas de Ogum são práticas e inquietas, nunca "falam por trás" de alguém, não gostam de traição, dissimulação ou injustiça com os mais fracos. 


Nenhum filho de Ogum nasce equilibrado. Seu temperamento, difícil e rebelde, o torna, desde a infância, quase um desajustado. Entretanto, como não depende de ninguém para vencer suas dificuldades, com o crescimento vai se libertando e acomodando-se às suas necessidades. Quando os filhos de Ogum conseguem equilibrar seu gênio impulsivo com sua garra, a vida lhe fica bem mais fácil. Se ele conseguisse esperar ao menos 24 hs. para decidir, evitaria muitos revezes, muito embora, por mais incrível que pareça, são calculistas e estrategistas. Contar até 10 antes de deixar explodir sua zanga, também lhe evitaria muitos remorsos. Seu maior defeito é o gênio impulsivo e sua maior qualidade é que sempre, seja pelo caminho que for, será sempre um Vencedor. 

A sua impaciência é marcante. Tem decisões precipitadas. Inicia tudo sem se preocupar como vai terminar e nem quando. Está sempre em busca do considerado o impossível. Ama o desafio. Não recusa luta e quanto maior o obstáculo mais desperta a garra para ultrapassá-lo. Como os soldados que conquistavam cidades e depois a largavam para seguir em novas conquistas, os filhos de Ogum perseguem tenazmente um objetivo: quando o atinge, imediatamente o larga e parte em procura de outro. É insaciável em suas próprias conquistas. Não admite a injustiça e costuma proteger os mais fracos, assumindo integralmente a situação daquele que quer proteger. Sabe mandar sem nenhum constrangimento e ao mesmo tempo sabe ser mandado, desde que não seja desrespeitado. Adapta-se facilmente em qualquer lugar.Come para viver, não fazendo questão da qualidade ou paladar da comida. Por ser Ogum o Orixá do Ferro e do Fogo seu filho gosta muito de armas, facas, espadas e das coisas feitas em ferro ou latão. É franco, muitas vezes até com assustadora agressividade. Não faz rodeio para dizer as coisas. Não admite a fraqueza e a falta de garra. 

Têm um grave conceito de honra, sendo incapazes de perdoar as ofensas sérias de que são vítimas. São desgarrados materialmente de qualquer coisa, pessoas curiosas e resistentes, tendo grande capacidade de se concentrar num objetivo a ser conquistado, persistentes, extraordinária coragem, franqueza absoluta chegando à arrogância. Quando não estão presos a acessos de raiva, são grandes amigos e companheiros para todas as horas. 

É pessoa de tipo esguio e procura sempre manter-se bem fisicamente. Adora o esporte e está sempre agitado e em movimento, tendem a ser musculosos e atléticos, principalmente na juventude, tendo grande energia nervosa que necessita ser descarregadas em qualquer atividade que não implique em desgastes físicos. 

Sua vida amorosa tende a ser muito variada, sem grandes ligações fixas, mas sim superficiais e rápidas. 

Conheça mais sobre a Umbanda.

Por Pai Pedro de Ogum

Patacuri meu Pai Ogum!!!

Ogum é a Lei ! É o equilíbrio entre a luz e as trevas e a defesa contra as forças destrutivas das trevas. Ogum luta para não deixar cair quem Ele está protegendo. É o guerreiro, o general destemido e estratégico, é aquele que veio para ser o vencedor das grandes batalhas, o desbravador que busca a evolução. Ogum é o que vem primeiro, o que está sempre à frente, um líder nato. Ele conhece e domina todos os caminhos, por isso nunca se perde e está sempre ajudando quando corretamente evocado. Diante disso, cultuar Ogum é vital para quem quer conseguir vencer as suas batalhas com força, coragem e determinação. Ogum é aquele que sempre está de “ronda” para proteger seus filhos, é a Lei e a Ordem Divinas.
Sincretizado com São Jorge, ou Santo Antônio na Bahia, é festejado no dia 23 de abril. Tem seu ponto de força nas estradas, caminhos, estradas de ferro e no meio das encruzilhadas. Seu símbolo é a espada e suas cores o vermelho e o azul escuro. É o Orixá do Ferro e o Senhor dos metais.
Quem é filho de Ogum não sofre demanda!
Oração à Ogum:
Andarei nesse dia nessa noite
Com meu corpo cercado vigiado e protegido
Pelas as armas de Ogum.
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Ogum
Para que meus inimigos tendo pés não me alcancem
Tendo mãos não me pegue e não me toquem
Tendo olhos não me enxerguem
E nem em pensamento eles possam ter para me fazerem mal.
Armas de fogo o meu corpo não alcançarão
Facas e lanças se quebrem se o meu corpo tocar
Cordas e correntes se arrebentem se ao meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Ogum.
Salve Ogum! Salve sua Lei e sua força, meu Pai!
Ogunhêy, Meu Pai !
Ogum não faz por mim, ele faz comigo! Patacuri, meu Pai !
Muito Axé e uma ótima semana a todos!

Vibração Ogum

Ogum é um dos orixás mais cultuados dentro do panteão Umbandista, o soldado de Aruanda, Ogum é o general de guerra, o vencedor de demandas. O patrono do ferro, dos metais em geral. Sua cor geralmente é o vermelho e branco, mas varia muito dependendo do culto e da casa.
Suas festividades ocorrem no dia 23 de abril, seu sincretismo quase que absolutamente é São Jorge, mas também pode variar dependendo da casa e da liturgia praticada.
Ainda insistindo na mitologia, Ogum é irmão de Oxóssi e Exú, e sua esposa foi Oxum, Iansã ou até mesmo Iemanjá, dependendo da qualidade do mesmo, mas isso é apenas a título de curiosidade e não desprenderei mais tempo para explanar sobre as lendas. Sua saudação é Patacori Ogum, Ogum Iê.
Sabe-se que Ogum é o patrono do Ferro, dos metalúrgicos, da tecnologia e dos soldados, também é o Senhor das Estradas, portanto, a área de atuação da vibração de Ogum é muito vasta, portanto, tentarei esmiuçá-la no decorrer do texto.
Ogum é a vibração que nos impulsiona à Luta, às Guerras, é a nossa coragem, o nosso ânimo para vencer as constantes guerras que travamos em nosso cotidiano, é o patrono do Ferro, não penso só no ferro que conhecemos como o metal utilizado para matéria prima, mas também no papel biológico de nosso corpo, como as ligações de ferro em nosso sangue, a hemoglobina, por exemplo, que é formada por Ferro e leva o Oxigênio por todo nosso sistema circulatório. Sua carência nos humanos pode causar, além da anemia, anorexia, sensibilidade óssea e a clima frio, prisão de ventre, distúrbios digestivos, tontura, fadiga, problemas de crescimento, irritabilidade, inflamação da língua.  Portanto, também temos aí uma grande importância do Ferro em nosso corpo, onde a vibração de Ogum também é atuante.
Ogum nos move, é a direção para o campo de batalha, é a força que nos dá a esperança e nos anima para continuar lutando, é uma vibração muito evocada, juntamente com exu, para vencer demandas, desfazer malefícios causados por espíritos de baixo grau evolutivo.
NA Umbanda da qual eu acredito, todos os filhos possuem um caboclo de Ogum, a falange de Ogum é muito vasta, tentarei esmiuçar um pouco aqui para evitar confusões, na Umbanda recebemos algumas qualidades de Ogum, que vem como caboclos representantes dessa qualidade, não vamos misturar os caboclos falantes que atuam nos passes, consultas da casa com os caboclos que aqui representam a qualidade do Orixá, vou explicando gradativamente para que não haja confusão, mas abaixo citarei as qualidades de Ogum na Umbanda que já presenciei:
Ogum Beira-Mar
Uma das linhas mais populares de Ogum dentro da nossa Umbanda, é o Ogum que ronda as praias e águas salgadas, é o Ogum que zela e ronda no campo Santo de Iemanjá, é o Ogum que atua sob os auspícios da vibração de Iemanjá. É o chefe da falange de Ogum que atua nos mares e praias. Seu brado se dá de uma forma interessante, ele puxa o ar com a boca aberta emitindo um ruído estranho. Sua oferenda geralmente é um peixe ou camarão, suas cores são o vermelho, o branco e o azul claro (Cor de Iemanjá), aceita cerveja preta ou clara, também já vi alguns recebendo vinho branco e charuto. Alguns caboclos dessa falange são: Sete Ondas, Marinho, Sete Mares, Ogum da Praia.
Ogum Matinata
É um Ogum que atua sob a vibração de Oxalá, o Ogum de Branco, é um Ogum que atua nos montes altos verdejantes, sua ronda ocorre no campo santo de Oxalá, as colinas, as montanhas, os locais altos onde a energia do Sol é refletida para os locais mais baixos. É um tipo de Ogum muito raro, eu só presenciei uma vez e sei muito pouco sobre ele.
Ogum Rompe-Mato
É a falange que atua sob os domínios de Xangô e Oxóssi, é o Ogum que ronda as matas e cachoeiras, é interessante não confundir Ogum Rompe-Mato com Caboclo Rompe-Mato, levam o mesmo nome, porém suas vibrações e formas de atuações são bem distintas. Sua manifestação no médium é parecida com a de um caboclo, até seu brado geralmente é longo e seco e bate muito a mão no peito. Suas cores são o verde e o vermelho, juntas formam o marrom. Suas oferendas geralmente são frutas, cerveja e charuto. Nessa falange também existe Ogum Sete Espadas, Ogum Caçador, Ogum Sete Matas, Ogum Sete Cachoeiras. Um Ogum muito conhecido que atua nessa falange é Ogum Xoroquê, um Ogum que atua nos dois extremos, a vibração negativa e positiva de Ogum.
Ogum Iara
É a falange de Ogum que atua nos rios, sob os auspícios de Oxum, é o Ogum das águas doces, dos pântanos, geralmente vêem com as mãos espalmadas simbolizando conchas, mas também já vi manifestações com as mãos fechadas ou apenas os indicadores espalmados. Ele ronda os rios e alguns as cachoeiras, juntamente com Ogum Rompe-Mato, suas cores são o vermelho e o branco, alguns o vermelho e amarelo. Suas oferendas são semelhantes ao do Ogum Rompe-Mato. Alguns caboclos dessa falange são: Ogum dos Rios, Riacho Grande, Sete Rios.
Ogum Megê
Meji, do yorubá, duas faces, é a falange de Ogum que atua nos campos da vibração da direita e da vibração da esquerda, é um Ogum relativamente raro nos dias de hoje, sua falange se apresentam muito poucos, como Ogum Sete Catacumbas e Ogum Sete Estradas. Apenas vi um Ogum dessa falange, outro muito conhecido que pode vir sob os auspícios dessa vibração, seria Ogum Xoroque. É uma vibração de Ogum que atua nos cemitérios ou encruzilhadas, por trabalhar diretamente com Exú, tem uma vasta falange de exus sob seus domínios, é um Ogum extremamente eficiente para desmanche de trabalhos e atuação para quebrar demandas. Atua também no cemitério juntamente com Obaluaie.
Ogum Dele ou Dilei
É uma falange muito rara de se apresentar, em minha opinião é a falange onde carrega a vibração pura de Ogum, tive a oportunidade de presenciar poucos médiuns que carregam essa vibração de Ogum, ambos são relativamente velhos, porém imponentes, suas oferendas se dão na estrada ou em montes altos verdejantes, sua hora de ronda se dá às 06:00 da manhã, costuma-se nessa hora pedir proteção ao Sr. Ogum Dilê que é sua hora de ronda. Os antigos Umbandistas, principalmente os chefes de terreiro, costumavam acordar cedo e fazer suas oferendas e preces justamente essa hora solicitando proteção.
Eu já senti a vibração dessa falange, é uma vibração extremamente sutil e poderosa, algumas literaturas também enfatizam que é uma falange que atua também nos campos de Xangô, mas somente o médium que o carrega pode dizer claramente como ele é ou como ele trabalha, pois como sempre digo, cada entidade tem a sua forma particular de trabalho.
Existem outras falanges, como Ogum Nagô, Ogum Naruê, Ogum Malei, que também atuam fortemente na vibração da esquerda, são Oguns que tem como grande poder o feitiço e o exímio conhecimento da Quimbanda, raramente se manifestam atuando somente nos bastidores.
SE alguém quiser saber mais informações, basta me escrever e tão logo tentarei responder sua pergunta.
Paz Profunda
Alguns textos, poemas e fotos foram retirados de variados
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Joaozinho

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