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segunda-feira, 11 de abril de 2011

OGUM – O Bravo Guerreiro

Divindade masculina iorubá, figura que se repete em todas as formas mais conhecidas da mitologia universal, Ogum é o arquétipo do guerreiro. Bastante cultuado no Brasil, especialmente por ser associado à luta, à conquista, é a figura do astral que, depois de Exú, está mais próxima dos seres humanos. O Guerreiro sempre foi a figura mítica do deus mais invocada, já que é sua função realizar no astral as guerras que os seres humanos não conseguem travar ou vencer na sua luta cotidiana. Foi uma das primeiras figuras do candomblé incorporada por outros cultos, notadamente pela umbanda, onde é muito popular. É sincretizado comumente com São Jorge ou Santo Antônio, tradicionais guerreiros dos mitos católicos, também lutadores, destemidos e cheios de iniciativa. Ogum segundo as lendas não era figura que se preocupasse com a administração do reino do seu pai, Odudua. Apesar de ter sido o eventual substituto do pai em diversas ocasiões, ele não gostava de ficar quieto no palácio, dava voltas sem conseguir ficar parado, arrumava romances com as moças da região e brigas com seus namorados. E, criando assim uma imagem política desmoralizante, acabava sendo enviado para o que mais gostava de fazer: lutar para conquistar territórios. Não se interessava pela administração do local conquistado. Ogum é aquele que gosta de iniciar as conquista mas não sente prazer em descansar sobre os resultados delas. Na África Ogum é o Deus do ferro ,a divindade que brande a espada e forja o f erro, transformando-o no instrumento de luta. Assim, seu poder vai-se expandindo para além da luta, sendo o padroeiro de todos os que manejam o ferro: ferreiros, barbeiros etc...É por extensão o orixá que cuida dos conhecimentos práticos, sendo o patrono da tecnologia. É o símbolo do trabalho, da atividade criadora do homem sobre a natureza, da produção e da expansão. Tem junto com Exú posição de destaque logo no início do ritual. Tal como Exú, Ogum também gosta de vir a frente. Tem algo em comum com as duas primeiras figuras do Zodíaco, os signos de Áries e Touro: a energia quase pura, explosivamente criativa e indomada, praticamente inesgotável do carneiro e a visão prática, utilitária, a determinação na busca de objetivos e a capacidade de trabalho do Touro. Como se pode depreender das indicações anteriores, Ogum não se prende a riqueza. Não se interessa pelo poder representado pelo governo, pelo controle do comportamento dos cidadãos em tempo de guerra, por atividades que exijam tempo, paciência e sutilezas diplomáticas ou cuidados com as repercussões secretas e milimétricas de cada atitude. Ogum gosta do preto no branco, dos assuntos definidos em rápidas palavras, de falar diretamente a verdade sem ter que se preocupar em adaptar cada discurso a cada pessoa. è arrogante demais para modificar seu modo de falar e ter de pensar que o que é lógico e válido para ele pode não ser para outros. Pouco se importa com a comodidade e dispensa o luxo. Todas as passagens dos rituais de Ogum, especialmente suas comidas ritualísticas, estão entre as mais despojadas dos costumes africanos. Gosta de dormir no chão, precisa que o corpo entre em contato sempre direto com a natureza e dispensa roupas elaboradas e caras, que possam ser complicadas de vestir ou que exijam muito espaço na mochila. A violência e a energia, porém, não explicam Ogum totalmente. Ele não é do tipo austero. Embora sério e dramático, nunca é contidamente grave. Contenção, aliás, é palavra que desconhece. Quando irado, é implacável, apaixonadamente destruidor e vingativo. Quando apaixonado, sus sexualidade é devastadora e não se contenta em esperar nem aceita a rejeição. Fora da guerra é o Orixá da alegria, da diversão, da delícia de viver, especialmente no contato com amigos e camaradas. Ogum gosta de alegria, de muita gente em volta ouvindo suas histórias, sendo a feijoada uma comida que eventualmente pode ser oferecida ao orixá, por ser um prato social por excelência. O numero associado a Ogum é o sete que divide com seu irmão Exú. Partilha com Exú também a violência, o individualismo e o gosto de entrar de cabeça nas lutas e guerras. Falta a Ogum porém a malícia de Exú que as vezes finge não estar brigando para melhor poder atacar o oponente, enquanto Ogum sempre ataca pela frente, sem medir perigos. Por outro lado, Ogum leva vantagem sobre Exú, mesmo sendo temperamental, dado a repentes, mantém-se fiel a seus próprios objetivos. Não quer vencer a batalha, mas a guerra como um todo. As dificuldades servem de estímulo a Ogum ,quanto mais obstáculos, mais eles permanecem na luta. Existem sete tipos diferentes de Ogum , mas Ogum Xoroquê merece destaque um destaque específico, pois é um orixá masculino duplo, ou seja, possui duas formas diferentes de manifestação. É associado à irmandade e afinidade estreita de Ogum com Exú, pois passa seis meses do ano como Ogum e os outros como Exú, sendo considerado guerreiro feroz, irascível e imbatível.

O Arquétipo dos seus filhos

Tendo um perfil psicológico e um conjunto de lendas riquíssimas, não é difícil reconhecer um filho do Orixá Ogum. Tem um comportamento extremamente coerente, arrebatado e passional, onde as explosões, a obstinação e a teimosia logo avultam, assim como o prazer com os amigos e com o sexo oposto. O arquétipo de comportamento associado a figura do ser violento, impulsivo, dado a brigas, que tem um grave conceito de honra, sendo incapaz de perdoar as ofensas sérias de que é vítima. Mas sempre termina tudo com uma boa gargalhada por ter reconhecido no adversário uma espécie de cúmplice de jogo. Gosta, assim tanto de guerrear a sério como de brincadeira, apenas para medir forças. Os homens e mulheres que tem Ogum como seu orixá de cabeça vão ter comportamentos diferentes de acordo com o segundo orixá que os influencia (o ajuntó), podendo atenuar sua tonalidade sangüíneo-passional, se o ajuntó for, por exemplo, Oxum ou aumentá-la ao extremo, se o ajuntó for Exú ou a guerreira Iansã. De qualquer forma, terão em comum alguns traços: são conquistadores, incapazes de fixar-se num mesmo lugar ou pessoa por muito tempo. São apreciadores das novidades tecnológicas, dos novos caminhos da ciência e de novas formas de desempenho profissional. Os filhos desse Orixá são pessoas curiosas e resistentes, com grande capacidade de concentração no objetivo a ser conquistado: a coragem é muito grande, a franqueza absoluta, chegando mesmo a falta de tato, que, acrescida à rudez habitual, pode conquistar-lhes a fama de mal educados ou pouco preocupados com os outros. É um líder nato, embora certas vezes não demonstre, gosta de assumir o controle de equipes com as quais está envolvido. Gosta de chefias e departamentos onde esteja presente o novo e o inexplorado. Em ternos físicos, o filho de Ogum tende a ser esguio, musculoso e atlético, mas não necessariamente volumoso. Tudo em Ogum se aproxima do conceito de despojamento, do ser que não tem tempo para ser vaidoso, por que está sempre de passagem. A vida dos filhos deste orixá é movimentada, sua casa tem poucos móveis., quase nunca de estilo antigo e de características barrocas, com cantinhos difíceis de limpar. Será um lar austero, com poucas peças, sempre muito práticas, deixando grandes espaços vazios, o importante para ele não é criar um ambiente harmonioso, mas ter cadeiras para sentar, mesa para servir as refeições ou trabalhar e pronto. Os cabelos das mulheres de Ogum costumam ser cortados curtos; quando longos, são mantidos soltos, lisos ou enrolados por uma permanente, ou seja, formas simples que não exijam perda de tempo.

O Culto ao Orixá

As oferendas e festas para Ogum , costumam realizar-se nas terças-feiras, dia a ele consagrado. Todas as danças dos filhos de Ogum possuídos pelo Orixá tem marcações marciais, de guerra e luta, sendo comuns os embates entre os filhos de Ogum e Xangô, velhos adversários. Excetuando-se Exú, de quem é companheiro e irmão, e Oxalá, a quem respeita como Patriarca, as relações de Ogum com os outros orixás masculinos (Aberós) não são muito boas, o que é lembrado nas festas. Com os orixás femininos (Iabás) o relacionamento é superficial, pois as considera apenas objetos sexuais. O elemento fundamental dos apetrechos de Ogum é o ferro, lembrando sua condição de ferreiro e metalúrgico. Sua cor é o azul-índigo ou o azul mais brilhante que o aço assume no momento imediatamente posterior a forja. Na base simplificada de três cores básicas que formam o panteão do candomblé (branco, vermelho e preto) , o azul é considerado tão somente uma variação do preto. Os sacrifícios para Ogum podem incluir galos e cachorros, sendo estes últimos animais com quem tradicionalmente se entende bem. As comidas cerimoniais a ele oferecidas costumam ser simples, preferencialmente secas, sem molhos elaborados, feitas com o mínimo de ingredientes possível para estarem prontas rapidamente, sem a necessidade de empregados para ajudar nem as panelas para cozinhar: seu prato por excelência é o inhame assado acompanhado de feijão fradinho rapidamente torrado diretamente no fogo – comida de viajante, em suma. Dependendo da circunstância podem ser-lhe oferecidos acarajé e feijoada acompanhado de cerveja. Sua saudação é um grito de guerra: Ogunhê!!! , sua filiação é Odudua e Yemanjá, seu elemento é o ferro, seus domínios são os caminhos e as guerras, seus instrumentos de atuação são a espada e o escudo. Dentre os Oguns mais conhecidos podemos citar: Ogum Iara, Ogum Megê, Ogum Beira Mar, Ogum Sete Ondas, Ogum Damasciano, Ogum Xoroquê, Ogum Sete Espadas, Ogum Matinada, Ogum Naruê, Ogum Sete Lanças, Ogum de Ronda entre outros.


São Jorge Mártir - Igreja Catolica

Festa 23 de abril

Devotos no mundo inteiro comemoram no dia 23 de abril, o Dia de São Jorge, o santo padroeiro da Inglaterra, de Portugal, da Catalunha, dos soldados, dos escoteiros, dos corintianos e celebrado em canções populares de Caetano Veloso, Jorge Ben Jor e Fernanda Abreu. No oriente, São Jorge é venerado desde o século IV e recebeu o honroso título de "Grande Mártir".

Guerreiro originário da Capadócia e militar do Império Romano ao tempo do imperador Diocleciano, Jorge converteu-se ao cristianismo e não agüentou assistir calado às perseguições ordenadas pelo imperador. Foi morto na Palestina no dia 23 de abril de 303. Ele teria sido vítima da perseguição de Diocleciano, sendo torturado e decapitado em Nicomédia, tudo devido à sua fé cristã.

A imagem de todos conhecida, do cavaleiro que luta contra o dragão, foi difundida na Idade Média. Está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito e contada de várias maneiras em suas muitas paixões. Iconograficamente, São Jorge é representado como um jovem imberbe, de armadura, tanto em pé como em um cavalo branco com uma cruz vermelha. Com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI, em maio de 1969, tornou-se opcional a observância do seu dia festivo. Embora muitos ainda suspeitem da veracidade de sua história, a Igreja Católica reconhece a autenticidade do culto ao santo. O culto do santo chegou ao Brasil com os portugueses. Em 1387, Dom João I já decretara a obrigatoriedade de sua imagem nas procissões de Corpus Christi. O Sport Clube Corinthians Paulista foi outra grande contribuição para a popularização de São Jorge, primeiro no Estado de São Paulo e depois no País, ao escolher o santo como seu padroeiro e protetor, em 1910.

A quantidade de milagres atribuídos a São Jorge é imensa. Segundo a tradição, ele defende e favorece a todos os que a ele recorrem com fé e devoção, vencendo batalhas e demandas, questões complicadas, perseguições, injustiças, disputas e desentendimentos.

São Jorge é venerado desde o século IV

O culto a São Jorge vem do século 4 dC. O soldado foi martirizado na Palestina no dia 23 de abril de 303, vítima da perseguição do imperador Diocleciano. Foi torturado e teve a cabeça cortada, em Nicomédia, devido a sua fé cristã.

Os restos mortais de São Jorge foram transportados para Lídia (antiga Dióspolis), onde foi sepultado, e onde o imperador cristão Constantino (que depois de vários imperadores anti-cristãos converteu-se e a império à religião cristã) mandou erguer suntuoso oratório aberto aos fiéis. Seu culto espalhou-se imediatamente por todo o Oriente. No século V, já havia cinco igrejas em Constantinopla dedicadas a São Jorge. Só no Egito, nos primeiros séculos após sua morte, foram erguidas quatro igrejas e quarenta conventos dedicados ao mártir. Na Armênia, na Grécia, no Império Bizantino (a região oriental do Império Romano, que tinha capital em Bizâncio, depois, Constantinopla) São Jorge era inscrito entre os maiores Santos da Igreja Católica. No Ocidente, na Idade Média, as Cruzadas colocaram São Jorge à frente de suas milícias, como Patrono da Cavalaria. Na Itália, era padroeiro da cidade de Gênova. Na Alemanha, Frederico III dedicou a ele uma Ordem Militar. Na França, São Gregório de Tours era conhecido por sua devoção a São Jorge; o rei Clóvis dedicou-lhe um mosteiro, e sua esposa, Santa Clotide, erigiu várias igrejas e conventos em sua honra. A Inglaterra foi o país ocidental onde a devoção ao santo teve papel mais relevante. O monarca Eduardo III colocou sob a proteção de São Jorge a Ordem da Cavalaria da jarrateira, fundada por ele em 1330. Por considera-lo o protótipo dos cavaleiros medievais, o inglês Ricardo Coração de Leão, comandante de uma das primeiras Cruzadas, constituiu São Jorge padroeiro daquelas expedições que tentavam conquistar a Terra Santa aos muçulmanos. No século 13, a Inglaterra celebrava sua festa como dia santo e de guarda e, em 1348, criou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país, imitando os gregos que também trazem a cruz de São Jorge na sua bandeira. Ainda durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918) muitas medalhas de São Jorge foram cunhadas e oferecidas aos enfermeiros militares e às irmãs de caridade que se sacrificaram ao tomar conta dos feridos da guerra. As artes, também, divulgaram amplamente a imagem do santo. Em Paris, no Museu do Louvre, há um quadro famoso de Rafael (1483-1520), intitulado "São Jorge vencedor do Dragão". Na Itália, existem diversos quadros célebres, como o de autoria de Donatello (1386-1466).

São Jorge e a morte do dragão

A imagem conhecida de todos, do cavaleiro que luta contra o dragão, está relacionada às lendas criadas a partir da Idade Média. Há uma grande variedade de histórias relacionadas a São Jorge. O relato e a imagem de todos conhecidos, do cavaleiro que luta contra o dragão, começaram a ser difundidos na Idade Média . A imagem atual do santo, sentado em um cavalo com uma lança que atravessa um dragão, está relacionada às diversas lendas criadas a seu respeito, contadas de várias maneiras em suas muitas paixões. A versão mais corrente dá conta que um horrível dragão saía de vez em quando das profundezas de um lago e atirava fogo contra os muros de uma longínqua cidade do Oriente, trazendo morte com seu mortífero hálito. Para não destruir toda a cidade, o dragão exigia regularmente que lhe entregassem jovens mulheres para serem devoradas. Um dia coube à filha do Rei ser oferecida em comida ao monstro. O Monarca, que nada pôde fazer para evitar esse horrível destino da tenra filhinha, acompanhou-a com lágrimas até às margens do lago. A princesa parecia irremediavelmente destinada a um fim atroz, quando de repente apareceu um corajoso cavaleiro vindo da Capadócia, montado em um cavalo branco, São Jorge. Destemidamente, enfrentou as perigosas labaredas de fogo que saíam da boca do dragão e as venenosas nuvens de fumaça de enxofre que eram expelidas pelas narinas do monstro. Após um duro combate, finalmente São Jorge venceu o terrível dragão, com sua espada de ouro e sua lança de aço. O misterioso cavaleiro assegurou ao povo que tinha vindo, em nome de Cristo, para vencer o dragão. Eles deviam converter-se e ser batizados. Para alguns, o dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu, representaria a província da qual ele extirpou as heresias. A relação entre o santo e a lua viria de uma lenda antiga que acabou virando crença para muitos. Diz a tradição que as manchas apresentadas pela lua representam o milagroso santo e sua espada pronto para defender aqueles que buscam sua ajuda.

Desde 1969, Igreja Católica tornou opcional a celebração a São Jorge

Embora muitos considerem que sua história não passe de um mito e outros até mesmo acreditem que o santo tenha sido cassado pela Igreja Católica, o martírio de São Jorge e o seu culto continuam sendo reconhecidos pelo catolicismo. A lenda do guerreiro que matou o dragão havia sido rejeitada no século 5 por um concílio, mas persistiu e ganhou enorme popularidade no tempo das Cruzadas. "A imagem atual é fruto de uma lenda. Isso não quer dizer, no entanto, que esse santo não existiu e que o martírio dele não foi significativo", diz o monsenhor Arnaldo Beltrami, vigário episcopal de comunicação da Arquidiocese de São Paulo. No dia 9 de maio de 1969, a observância do Dia de São Jorge tornou-se opcional, com a reforma do calendário litúrgico, realizada pelo papa Paulo VI. A reforma retirou do calendário litúrgico as comemorações dos santos dos quais não havia documentação histórica, mas apenas relatos tradicionais. Daí ter-se falado, naquele tempo, em "cassação de santos". Mas o fato da celebração do Dia de São Jorge tornar-se opcional não significa o não reconhecimento do santo.

São Jorge é o padroeiro da Inglaterra

O "Santo Guerreiro" é também o padroeiro da Inglaterra, de Portugal e da Catalunha (região da Espanha que reivindica identidade nacional, onde se localiza Barcelona). Não há consenso, porém, a respeito da maneira como teria se tornado patrono da Inglaterra. Seu nome era conhecido na Inglaterra e na Irlanda muito antes da conquista normanda, o que leva a crer que os soldados que retornavam das Cruzadas influíram bastante na disseminação de sua popularidade. Acredita-se que o santo tenha sido escolhido o padroeiro do reino quando o rei Eduardo III fundou a Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, em 1348. Em 1415, a data de sua comemoração tornou-se um dos feriados mais importantes do país. Em 1970, a festa anual do santo nas igrejas católicas foi tornada opcional, com a reforma do papa Paulo VI. Entretanto, na Inglaterra e em outros lugares onde São Jorge é especialmente venerado, tal festa guarda ainda toda a sua antiga solenidade. Os ingleses acabaram por adotar São Jorge como padroeiro do país.

Sincretismo Religioso

O ideal de liberdade é inerente à própria condição do ser humano. Mesmo o mais vil dos assassinos sonha com a liberdade. O que se dizer então do homem que nascendo livre nas savanas africanas e reduzido à humilíssima condição de escravo, sem nada ter feito para merecer esse castigo. Assim, em seus sonhos de liberdade, o negro africano via em OGUM, o Orixá da guerra, a força que necessitava para conseguir sua liberdade.

Um dia o negro empunharia a lança e a espada de OGUM, mataria os brancos, vingando amigos e parentes mortos por estes e tomaria de uma de suas grandes canoas (caravelas) e voltaria à sua terra natal.

Diante do exposto, cultuar OGUM era, para o negro africano, vital. Era ele quem os ajudaria na batalha, lhe daria forças e quem sabe lhe emprestasse a coragem de que tanto necessitava.

A figura de SÃO JORGE nos mostra um homem todo coberto com uma armadura de aço, ferindo com uma lança, o dragão, símbolo do mal. O OGUM que o negro conhecia e que era o Orixá do ferro era um Orixá guerreiro. O branco lhe impunha a imagem de SÃO JORGE dizendo-lhe que esquecesse o Orixá guerreiro o continuasse humildemente cultuando OGUM “disfarçado” na imagem do Santo Católico.

As imagens tão populares, no período colonial, eram na sua grande maioria, esculpidas em madeira. O negro africano quando cumpre uma obrigação, retira do lugar sagrado onde ele deu a obrigação, um pedaço de solo, geralmente uma pedra e a qual dá-se o nome de OTÁ e que ele cultua como objeto sagrado pelo resto de seus dias. Para não trair seus deuses de origem, o negro habilmente, escavava a imagem do Santo Católico e introduzia nessa escavação o OTÁ correspondente ao Orixá. Desta forma ele poderia voltar-se para uma imagem do Santo Católico e reverenciar o Orixá Africano.

O branco acabou por descobrir que os negros escavavam as imagens. Quando este fato ocorreu, o negro justificou que a imagem oca não trincava e que a pedra na base servia para dar maior estabilidade à imagem. O branco ladino passou a utilizar-se destas imagens que eram encomendadas aos negros para ocultar no seu interior, fumo, ouro e pedras preciosas. Essa imagem era vedada com uma massa preparada com cera de abelhas e serragem e enviada à Europa sem pagar os direitos do rei, surgindo desta forma de contrabando a expressão “SANTINHO DO PAU OCO” como sinônimo de coisa marota.

Às vezes, o dono do engenho, o senhor das terras tinham um santo de devoção pessoal e obrigava o negro a cultuar esse santo. Isto justifica o fato de em Salvador, OGUM ser sincretizado com SANTO ANTONIO e não com SÃO JORGE.

Para que se entenda melhor, SANTO ANTONIO foi considerado como Capitão do Exército Nacional e pároco da igreja a ele dedicada, recebia o seu soldo do quartel.


terça-feira, 5 de abril de 2011

Não direi mais "não posso",
Pois Ogum me trará a persistência, determinação e tenacidade para conseguir.

Não direi mais "não tenho",
Pois Oxossi me dará a energia vital para trabalhar e obter.

Não direi mais "não tenho fé",
Porque Omulu me ensinará a compreender e aceitar meu karma.

Não direi mais "sou fraco",
Porque Oxum me trará equilíbrio emocional,
Iemanjá a auto-estima e Iansã clareza de raciocínio para que eu entenda as minhas limitações.

Não direi mais "não sei",
Pois Xangô me trará o conhecimento, para que eu o use com discernimento e justiça.

Não direi mais "estou derrotado",
Porque aprendi com cada entidade da Umbanda que nada supera a força de sermos filhos de Deus.

Não direi mais "estou perdido",
Pois encontrei a Umbanda, que com a luz do amor e da caridade, iluminou minha alma e me deu um caminho.

Marcilene Lima

domingo, 3 de abril de 2011

HISTÓRIA DA UMBANDA

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“…Se queres um nome que seja este:
Caboclo das Sete Encruzilhadas
pois para mim não haverá caminhos fechados…”
Contar a história da UMBANDA é quase contar a história do Brasil, pois, assim como o povo brasileiro, ela integra em suas “veias” as VÁRIAS ETNIAS, as mesmas que construíram nossa cultura.
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Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá
com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer,
será chamado Filho de Deus. (Lucas 1:35)
Segundo José Henrique Motta de Oliveira Mestre em História Comparada – UFRJ/ PPGHC em seu artigo “Eis que o caboclo veio à Terra “anunciar” a Umbanda”
Mas de onde vem a Umbanda? Acredita-se que o vocábulo “umbanda” designasse,
entre os africanos, sacerdote que trabalha para a cura. Na macumba, o vocábulo “embanda”ou “umbanda” também designava o chefe do terreiro ou, simplesmente, sacerdote.
Nunca uma modalidade religiosa. O umbandista Matta e Silva relata no livro Umbanda e o Poder da mediunidade que o vocábulo “umbanda”, como bandeira religiosa, não aparece antes de 1904 (MATTA E SILVA, 1987, p. 13). Entretanto, no depoimento deste mesmo autor, encontra-se o registro de que, em 1935, conhecera um médium com 61 anos de idade, de nome de Nicanor, que praticava a Umbanda desde os 16 anos, ou seja, desde 1890, incorporando o Caboclo Cobra Coral.
Nos QUILOMBOS muitos índios se juntaram aosAFRICANOS para se protegerem da dominação do “homem branco”. Novamente mais um elemento se une a esta cultura em formação, pois a RELIGIOSIDADE AFRICANA é manifestada noCULTO À NATUREZA, o que não difere muito daRELIGIOSIDADE INDÍGENA. Além disso, o ÍNDIO conhece o território, bem como sua flora e fauna, sendo grande conhecedor da medicina natural. Tudo favoreceu mais um SINCRETISMO, porque o AFRICANO PRECISAVA CULTUAR A NATUREZA LOCAL COM ELEMENTOS LOCAIS que foram integrados através do índio. Agora SURGE UM CULTO À NATUREZABRASILEIRA com rituais africanos. Já temos, então, as TRÊS RAÍZES ÉTNICAS do nosso povo integradas.
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Outro autor umbandista, Diamantino Trindade,reproduziu no livro Umbanda e Sua História parte de uma entrevista do jornalista Leal de Souza – publicada no Jornal de Umbanda, em Outubro de 1952 – na qual afirmava que o “precursor da Linha Branca fora o Caboclo Curuguçu que trabalhou até o advento do Caboclo das Sete Encruzilhadas” (TRINDADE, 1991, p. 56). O vocábulo “umbanda” vai ganhar status de religião quando o Caboclo das Sete Encruzilhadas manifestado no médium Zélio de Moraes, no dia 15 de novembro de 1908, “anuncia” o início de uma nova prática religiosa.
Este evento representa, hoje, para o Movimento Umbandista o marco fundador da religião, um divisor de águas entre a macumba – que era compreendida na época como “baixo-espiritismo” cuja prática nem sempre estava direcionada para fins elevados – e o “Espiritismo de Umbanda”, voltado para a prática do amor ao próximo
Misto de lenda e de realidade, a “anunciação” da Umbanda sofre algumas variações de narrador para narrador, mas a estrutura básica se mantém inalterada. Zélio de Moraes, aos 17 anos, começou apresentar alguns distúrbios os quais a família acreditou que fossem de ordem mental e encaminhou o rapaz para um hospital psiquiátrico. Dias depois, não encontrando os seus sintomas em nenhuma literatura médica, foi sugerida à família que lhe encaminhasse a um padre para um ritual de exorcismo. O padre, por sua vez, não conseguiu nenhum resultado.

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Tempos depois Zélio foi levado a uma benzedeira conhecida na região onde morava que lhe diagnosticou o dom da mediunidade e lhe recomendou que “trabalhasse” para a caridade.
Por sugestão de um amigo de seu pai, Zélio foi levado a Federação Espírita de Niterói,no dia 15 de novembro de 1908. Ao chegar à Federação foi convidado pelo dirigente daquela instituição a participar da sessão. Logo em seguida, contrariando as normas do culto, Zélio levantou-se dizendo que ali faltava uma flor. Foi até um jardim apanhou uma rosa branca e colocou-a no centro da mesa. A atitude do rapaz provocou uma estranha confusão no local: ele incorporou um espírito e simultaneamente diversos médiuns apresentaram incorporações de caboclos e preto-velhos. Advertido pelo dirigente do trabalho, a entidade incorporada no rapaz perguntou por que era proibida a presença daqueles espíritos.
Outro médium, que tinha o dom da vidência, quis saber da entidade o porquê dela falar daquele modopois via que era um padre jesuíta e lhe perguntou o nome.
A resposta foi:
(…) se julgam atrasados os espíritos de pretos e índios, devo dizer que amanhã
estarei na casa deste aparelho, para dar início a um culto em que estes pretos e índios
poderão dar sua mensagem e, assim, cumprir a missão que o plano espiritual lhes
confiou. Será uma religião que falará aos humildes, simbolizando a igualdade que
deve existir entre todos os irmãos encarnados e desencarnados. E se querem saber
meu nome que seja Caboclo das Sete Encruzilhadas, porque não haverá caminhos
fechados para mim. (GUIMARÃES e GARCIA, 2002, não paginado)


O dia seguinte, no bairro de Neves – município de São Gonçalo, região metropolitana Espírita,parentes, amigos, vizinhos e do lado de fora uma multidão de desconhecidos.
Às 20 horas, o caboclo se manifestou no corpo de Zélio de Moraes e disse que naquele momento iniciava-se um novo culto, no qual os espíritos de africanos e de índios poderiam trabalhar em benefício de seus irmãos encarnados e disse, também, que a nova religião se chamaria Umbanda. O grupo fundado pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas recebeu o nome de Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, porque “assim como Maria acolhe em seus braços o Filho, a Tenda acolheria aos que a ela recorrerem nas horas de aflição” (TRINDADE, 1991, p. 62)
15 de novembro de 1908 – Zélio de Moraes, então com dezessete anos, mediunizado com uma entidade que deu o nome de Caboclo das Sete Encruzilhadas, funda, em Neves, subúrbio de Niterói, o primeiro terreiro de Umbanda. Usa pelo primeira vez o vocábulo Umbanda, e define o movimento religioso como: “Uma manifestação do espírito para a caridade”.
Novembro de 1918 – O Caboclo das Sete Encruzilhadas dá início à fundação de sete Tendas de Umbanda. Todas as Tendas foram fundadas no Rio de Janeiro.
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Ano de 1920 – A Umbanda espalha-se pelos Estados de São Paulo, Pará e Minas Gerais. Em 1926 chega ao Rio Grande do Sul e em 1932 em Porto Alegre.
O advento do Caboclo Mirim – Em 1924, manifestou-se no Rio de Janeiro, em um jovem médium, Benjamim Figueiredo, uma entidade, Caboclo Mirim, que vinha com a finalidade de criar um novo núcleo de crescimento para a Umbanda. Assim, toda a família do médium foi chamada a participar. Eram ao todo 12 pessoas que deram início ao que foi chamada a Seara de Mirim. Após 18 anos, em 1942, foi fundada a Tenda Mirim, à rua Sotero dos Reis, 101, Praça da Bandeira; mudou – se, posteriormente, para a rua São Pedro e depois para a Rua Ceará, hoje Avenida Marechal Rondon, 597. Também desta Tenda saíram vários médiuns que se responsabilizaram pela criação de Tendas de Umbanda ao longo de todo território nacional. A primeira casa dela descendente foi criada, em 30/06/51, como filial, em Queimados, Nova Iguaçu, à rua Alegre, s/n. Depois desta, novas casas foram abertas em Austin, Realengo, Colégio, Jacarepaguá, Itaboraí e Petrópolis. A primeira casa, descendente do Caboclo Mirim, aberta fora do Rio de Janeiro foi a de Assaí, no Paraná. Até 1970, já tinham sido abertas 32 casas.
Ano de 1939 – Os Templos fundados pelo Caboclo das Sete encruzilhadas reuniram-se, criando a federação Espírita de Umbanda do Brasil, posteriormente denominada União Espiritualista de Umbanda do Brasil, incorporando dezenas de outros terreiros fundados por inspiração de “entidades” de Umbanda que trabalhavam ativamente no astral sob a orientação do fundador da Umbanda.
Outubro de 1941 – Reúne-se o Primeiro Congresso de Espiritismo de Umbanda. Outros Congressos havido posteriormente retiraram acertadamente o nome Espiritismo que, de fato, pertence aos espíritas brasileiros, os quais seguem a respeitável doutrina codificada por Alan Kardec. Em suma, o Espírita pratica o Espiritismo; na Umbanda pratica-se o Umbandismo.
Neste Congresso foi apresentada tese pela Tenda S. Jerônimo, propondo a descriminalização da prática dos rituais de Umbanda. O autor, Dr. Jayme Madruga, a par de um minucioso estudo de todas as constituições já colocadas em vigência no Brasil, busca também em projetos como o da Constituição Farroupilha e nos códigos penais até então vigentes e no que haveria de vigorar após 01 de janeiro de 1942, os argumentos mostrando que o caminho da Umbanda começava a ser aberto e que caberia aos Umbandistas buscar acelerar o processo com declarações e resoluções partindo daquele congresso, em prol da descriminalização da prática da Umbanda. Em 1944, vários umbandistas ilustres, entre eles vários militares, políticos, intelectuais e jornalistas, apresentam ao então Presidente Getúlio Vargas um documento intitulado “O Culto da Umbanda em Face da Lei” e consegue daquela autoridade a descriminalização da Umbanda. Este fato, que foi extremamente positivo, trouxe como subproduto uma perda de identidade muito grande Por parte de nossa religião, uma vez que todos terreiros, das mais variadas seitas, incluíram em seus nomes a palavra Umbanda como forma de fugir à repressão policial. Como nossa religião, nessa época, não tinha um rito claramente definido e nem a formação de sacerdotes, o que gera uma hierarquia, a Umbanda ficou à mercê dessa deturpação; outro fato que fortaleceu essa descaracterização foi que, sendo um período de crescimento, não se buscava a qualidade dos Terreiros que se filiavam à Federação, ou à União que lhe sucedeu, e, finalmente, ao CONDU.
Foi criado em 12 de setembro de 1971, na cidade do Rio de Janeiro, o Conselho Nacional Deliberativo de Umbanda – CONDU, que congrega as Federações de Umbanda existentes ao longo do país, atualmente, contando com mais de 46 Federações, de norte a sul do país, reunindo representantes de mais de 40.000 Terreiros de Umbanda. “
Em 1972, em mensagem psicografada por Omolubá, enviada pelo poeta Ângelo de Lys, confirma-se a origem da Umbanda no Brasil, através do médium Zélio de Moraes.
Em 1977, o CONDU reconhece, publicamente, como verdadeira a origem da Umbanda no Brasil.
Novembro de 1978 – Surge o livro “Fundamentos de Umbanda, Revelação Religiosa”, de Israel Cisneiros e Omolubá, que vem colocar nos seus devidos lugares a questão da origem da Umbanda. – portador de mensagens do astral, trazendo, por fim, após 70 anos de existência da Umbanda, as bases teológicas e norteadoras da doutrina umbandista, com fundamentos integrais da nova religião e sua verdadeira origem. O livro expõe a estrutura básica do movimento religioso, no sentido de elevar a Umbanda à justa posição de RELIGIÃO eminentemente brasileira.
Neste momento, que podemos definir como sendo o início desse novo período; assume-se a Umbanda como religião brasileira e através desse livro começa o primeiro movimento consistente para dar a ela uma base teológica. Após este primeiro livro, seguir-se-ão outros, de Omolubá, em especial os “Cadernos de Umbanda”, que incontestavelmente dão continuidade ao movimento de consolidação do ritual de Umbanda e, mais ainda, a criação de uma hierarquia, baseada na formação sacerdotal, fundamental para a manutenção das bases ritualísticas e conceituais apresentadas na primeira obra: Fundamentos de Umbanda.
Decorridos setenta anos de existência da Umbanda no Brasil, compreendidos entre 1908 / 1978, passou este curto espaço de tempo, porém significativo, a ser conhecido entre os estudiosos da causa como Período – Propagação da única e genuína força de credo, nascido neste século, em terras brasileiras.
Certamente que Zélio de Moraes, famoso médium já desencarnado, não iria supor que passadas menos de seis décadas, aquela crença, nascida no modesto bairro de Neves, fosse classificada, entre as religiões existentes, como a segunda do país, comportando mais de vinte milhões de seguidores, num crescendo espantoso de fiéis, apesar das perseguições policiais a que foi submetida, das intrigas da religião majoritária, além do completo descaso de todos os governos até a data atual, mesmo tratando-se de uma preferência natural, espontânea, de mais de um sexto da população. Hoje, o movimento mágico e religioso da Umbanda estende-se por todo o Brasil, professado como pobreza e humildade, sem proselitismo, sem explorações na magra bolsa do povo, sem dízimo compulsórios, mistérios mistificantes e regular envio a “royalties da fé” para o exterior.
Embora a Umbanda se apresente, muitas vezes, uma tanto desfigurada, com nuanças religiosas, reconhecemos que isso decorre desse período-propagação, no afã de conquistar almas, ainda que respeitando ambientes regionais. E nunca deixou, através das verdadeiras guias, de oferecer amparo prático, ajuda, orientação e, sobretudo, de inspirar o desejo de reascendimento dos corações que dela se socorrem, apontando sempre a eterna chama da esperança de dias melhores, calcados, naturalmente, na ação correta de cada instante, na cordura, no companheirismo e na fraternidade.
Os mentores da Umbanda, sediados na Aruanda (cidade localizada no plano astral), já determinaram sabiamente o procedimento normativo, religioso para os setenta anos vindouros, 1979/2049, como sendo o período de Afirmação Doutrinária. Obviamente, a doutrina de Umbanda ficará como ponto essencial para a estabilidade e perpetuação desse movimento, na forma digna, ensejada pelo estudo constante, a par do esforço sincero de cada devoto, no sentido de conduzir a Umbanda, no plano físico, a um merecido status de religião organizada, a serviço da comunidade religiosa nacional.
No imenso campo místico da nossa Terra, onde proliferam, abundantemente, conceituações religiosas diversas, algumas das quais exóticas, cheias de superstições, interpretações confusas e duvidosas, mercantilismo, fanatismo, mistificações, “curas divinas” e desonesto profissionalismo pastoral, a Umbanda, sobranceira, erguerá seu edifício religioso, tendo como obreiros da primeira e da undécima hora, devotos excepcionais, médiuns sinceros, babalorixás e ialorixás honestos que, há muito, já assumiram posição na hierarquia de responsabilidade e trabalho, cônscios de que a quantidade será relegada a segundo plano, em proveito da qualidade, e convictos de que, em matéria doutrinária, não pode nem deve haver transigências oportunistas, confirmando-se, desse modo, que “Umbanda é coisa séria para gente séria”.
Umbanda, sendo a única religião criada no Brasil, não pode ser dividida. Quem tiver esta pretensão cairá no ridículo. A nossa religião deve ser tratada com todo carinho, amor, serenidade e estudo, sobretudo com a renovação de caráter dos que a professam para que a mesma possa espelhar a grandeza de sua doutrina.
A Umbanda se sente desmerecida com o tratamento que lhe dispensam boa parte de terreiros onde se vê:
• mais animismo do que mediunísmo;
• mais interesses cúpidos do que magias;
• mais deslealdades do que autenticidades;
• mais personalismo do que espiritismo.
O sacrifício de animais (oferenda de sangue) nunca foi, não é e nem será ritual de Umbanda.
• Não cobrar,
• não matar,
• usar o branco,
• evangelizar
• e utilizar as forças da natureza são rituais de Umbanda.
Portanto, podemos afirmar que a Umbanda é produto da evolução espiritual ou religiosa.
Suas origens estão contidas nas filosofias orientais, fonte inicial de todos os cultos do mundo civilizado, que implantada em nossa terra, reuniu-se as práticas dos conceitos e crenças do índio, branco e negro.
Cavalcante Bandeira reporta-se aos mestres do idioma africano, citando o vocábulo umbanda como:
• “Arte de curar”,
• “Magia”,
• “Faculdade de curar por meio da medicina natural ou sobrenatural”;
• ou ainda “Os sortilégios que, segundo se presume, estabelecem e determinam a ligação entre os espíritos e o mundo físico”.
O vocábulo “Umbanda” só pode ser identificado dentro das qualificadas línguas mortas.
Todavia, entre os angolenses existe o termo “Quimbanda”, que significa “sacerdote, invocador de espíritos”, firmado no radical mbanda , conservado através de milênios, legado de tradição oral da raça africana, o qual é uma corruptela do original u-banda ou aum-bandhã.
“Toda essa complexa Mistura, que o leigo chama de macumba, baixo espiritismo, magia negra, envolvendo práticas fetichistas e barulhentas… era a situação existente, quando surgiu um vigoroso movimento de luz, ordenado pelo astral superior, feito pelos espíritos que se apresentavam como Caboclos, Pretos Velhos e Crianças. Surgiram práticas as mais confusas e desordenadas, envolvendo oferendas com sacrifício de animais, sangue, etc., e por isso tudo fez-se imprescindível um novo movimento dentro desses cultos ou de sua massa de adeptos, feito pelos espíritos carminantes afins a essa massa e pelos que, dentro de afinidades mais elevadas, se aplicam no amor e na renúncia em prol da evolução de seus semelhantes, o qual foi lançado através da mediunidade de uns e outros pelos Caboclos e Pretos Velhos, com o nome de Umbanda. O termo umbanda que eles implantaram no meio para servir de bandeira a essa poderosa corrente (ensinaram que) é um termo litúrgico, sagrado, vibrado, que significa, num sentido mais profundo, o conjunto das leis de Deus”.
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” Esta magnífica obra de Wilson T. Rivas (Mestre Ytaçuan), discípulo do já lendário Grande Mestre W. W. da Matta e Silva, traz as sapientíssimas mensagens do mentor espiritual que é conhecida na umbanda como Caboclo Sr. 7 Flechas. Através da psicografia, Mestre Ytaçuan nos oferece sutilíssimas gotas da ancestral sabedoria da umbanda, traduzidas em mensagens de profundo conteúdo que servirão ao leitor como alento nas horas difíceis ou de reflexão. Estas gotas transformam-se em profundo e vasto oceano de conhecimentos, onde se escondem, entre outros tesouros, os mistérios da simplicidade, da humildade e da pureza. “
A Umbanda é um “movimento mágico religioso“, genuinamente brasileiro, e a sua finalidade primordial como religião é a de despertar anseios de espiritualidade na criatura humana. Para que esse despertamento se faça, torna-se necessário um permanente estado de religiosidade, onde toda vivência é baseada na compreensão e plena sensibilidade (não sentimentalismo), para com tudo e todos que nos cercam e compõem a humanidade.
A Umbanda é uma doutrina espiritualista como o Espiritismo, o Catolicismo, o Esoterismo, etc… o que não impede de haver entre elas diferenças essenciais que lhe dão características próprias. É resultante natural da fusão espiritual das raças branca, índia e negra.
Sua lei principal é resumida numa só palavra: CARIDADE – no sentido do amor fraterno em benefício dos seus irmãos encarnados, qualquer que fosse a cor, a raça, o credo e a condição social, não podendo haver ambicioso, vaidoso, mistificadores, pois estes, mais cedo ou mais tarde, são afastados da Umbanda pelos espíritos de luz.

Em 1935 estavam fundados os sete templos idealizados pelo caboclo das Sete Encruzilhadas, coroando de êxito o que nos parece ter sido um dos movimentos, entre outros semelhantes e não registrados, mais importantes da criação daUmbanda no Brasil.
Zélio desencarnou em outubro de 1975, aos 84 anos de idade. De seu trabalho resultou a Umbanda de hoje, que abrange cerca de 30 milhões de adeptos, segundo estimativas apresentadas no 2º Festival Mundial de Artes Negras, realizado em Lagos, na Nigéria, pelo professor René Ribeiro, da Universidade Federal de Pernambuco, que demonstrou que a Umbanda era a religião que mais crescia no Brasil. O professor Ribeiro baseou-se em dados do IBGE.
Escute as lembranças do início da Umbanda contada pelo próprio Zélio de Moraes
Neste site estamos difundindo a história da Umbanda em sua raiz. E ela está, sem nenhuma dúvida, desde sua fundação, calcada no nome de Zélio de Moraes. Muitas pesquisas foram feitas e todas convergem para uma só: a Umbanda é brasileira, e nela está implantada a sabedoria mística do índio brasileiro e do negro africano.
Quem conta?
O próprio Zélio de Moraes, com sua voz e sua lembrança.
Como conseguimos?
O Marcírio, ogam da Tenda N.S. da Piedade, a primeira no Brasil e que era dirigida pelo Zélio de Moraes, nos fez chegar uma fita gravada pela sra. Lilian Ribeiro, presidente da TULEF – Tenda de Umbanda Luz, Esperança, Fraternidade, e gentilmente cedida pela sra. Zilméia de Moraes da Cunha, que junto com sua irmã Zélia de Moraes Lacerda, recentemente desencarnada, continuaram a obra de seu pai.
Às queridas irmãs Zélia e Zilméia, e D. Lilian de Ribeiro, a Umbanda lhes agradece esta oportunidade e a permissão da divulgação deste fita no site do Terreiro Pai Maneco localizado em Curitiba/PR.


Paz Amor e Harmonia
Emidio de Ogum
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